segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O Império do Marketing

Marketingreign é um país moderno. Em Marketingreign, a campanha eleitoral é uma guerra. Aceita essa premissa, a presidente, pessoalmente, partiu para caluniar a concorrente que as pesquisas eleitorais demonstravam ser a mais perigosa, até eliminar o risco. O ex-presidente que se vangloria de ser capaz de eleger um poste, quando as limitações dela para a função pública se revelaram bem maiores que as de um poste, partiu para a injúria contra o oponente que restou.
 Os crimes contra a honra são os mais compreensíveis dos crimes de guerra. Uma vez ganha a eleição, basta uma retratação qualquer, um convite ao diálogo, mais um pouco de marketing em torno da coragem do vencedor em usar todos os recursos a seu alcance e da indignidade do derrotado se acusar o golpe, e não se fala mais nisso. Em poucos dias, toda Marketingreign se convence de que contestar a lisura do pleito é que é golpismo.
A legislação eleitoral, assim como o Código Penal de Marketingreign, está entre as melhores do mundo. Antes de pleitear que seja aperfeiçoada, os cidadãos pensantes pensam: quem elaborará as mudanças? quem comandará a opinião pública no plebiscito ou no referendo que as consagrará?  E preferem calar-se.
Tenho uma exótica solução que dá uma esperança a Marketingreign. Deixem a reforma eleitoral para depois e contentem-se, primeiro, em recuperar o futebol, o cambaleante esporte nacional de lá.
No esporte, as crianças recebem os valores do país. Em Marketingreign, as crianças aprendem a amar o seu clube de futebol. Só que, logo depois, descobrem que não importa para o clube ser o melhor em campo, mas, sim, o mais eficiente em conquistar pontos que o coloquem entre os quatro primeiros no campeonato e impeçam que fiquem entre os quatro últimos. E que, como "regra é regra", não importa se esses pontos são conquistados coagindo o juiz, corrompendo dirigentes de outros clubes para que percam pontos com escalações irregulares ou viciando a composição dos tribunais esportivos.
Com regras de rebaixamento e ascensão que dificultem a manipulação e com o combate aos manipuladores do futebol, não haverá tantos jogos emocionantes para quem não quer ir além das regras. Isto faz a mudança parecer ameaçadora para as empresas de comunicação de Marketingreign. Com o tempo, entretanto, a valorização do mérito tornará o espetáculo mais atraente por si mesmo e os lucros delas poderão até aumentar. E só novos valores podem salvar Marketingreign.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

ABC 1 X 1 Vasco

Com um gol em impedimento, o ABC de Natal eliminou o Vasco da Copa do Brasil. Com isto morre a última esperança de um título significativo em 2014 para o Gigante da Colina Histórica.

Rebaixado para a Série B, em crise financeira e política, o Vasco vinha de seguidos maus resultados diante de adversários mais fracos. No primeiro jogo das oitavas de final contra o ABC empatara em São Januário e a eliminação no segundo jogo não foi surpreendente. Estreando técnico interino, com o goleiro cedido para um jogo amistoso da seleção uruguaia, só a dedicação dos seus atletas e o amor da torcida vascaína do Nordeste tornaram necessário que a eliminação em Natal só viesse por um erro da arbitragem.

O gol em impedimento em lance de bola parada faz lembrar o que transferiu do Vasco para o Flamengo o título estadual no início do ano. O cruzamento de bola parada é o lance em que o bandeirinha tem menor possibilidade de errar na marcação do impedimento. Por que esse erro se repete contra o Vasco?

A resposta é muito simples. É o time com a segunda maior torcida da segunda maior metrópole do país e toda hora melhor que os favoritos...

Os bandeirinhas cumprem, apenas, o papel de verdugos que lhes é dado. O que roubou o Vasco em dois jogos contra o Flamengo no mesmo campeonato desempenhou sua função com prazer. O deste 2 de setembro pode, apenas, ter sido traído pela pressão psicológica para ferir o Vasco.

Cogita-se no Vasco de trazer de volta à presidência do clube o dirigente que protagonizou violentos embates contra a Imprensa em defesa do clube. Anseia-se por ter de volta a torcida organizada expulsa dos estádios enquanto outras permanecem, na esperança de chamar a atenção com brigas de rua para as injustiças sofridas no campo. Ao contrário, defendo a reeleição do Roberto, se ele ainda aceitar seu reeleito. A dignidade com que suportou a sucessão de golpes recebidos em seu mandato é um exemplo que todos os vascaínos devemos seguir. 

A humilhação na Copa do Mundo talvez tenha mostrado a todo o povo brasileiro a direção errada em que caminha a cultura esportiva de nosso país. Esmagar o Vasco pode ser o fundo do poço do qual brotará a valorização da justiça no nosso esporte nacional. Para o Brasil mudar na direção certa, talvez esteja esperando a redescoberta do lugar do mérito no futebol.


terça-feira, 5 de agosto de 2014

Esperança Olímpica


Daqui a dois anos começarão as Olimpíadas do Rio.

O espírito olímpico consiste em reconhecer a virtude dos que superam suas limitações internas e externas para bem representar seu país em competições esportivas. Competições que se caracterizam, nas Olimpíadas, pela necessidade de unir dotes individuais com trabalho coletivo, obedecer às regras e respeitar os oponentes. 

Que as Olimpíadas realizando-se no Brasil nos tragam o espírito esportivo! Que ao ver os campeões realizarem esforços hercúleos para colher como maior prêmio a alegria dos seus conterrâneos, o valor de honrar os recursos com que cada um é dotado seja reconhecido por todos entre nós. Especialmente pelos mais fortes, os mais ricos, os melhor educados. O espírito esportivo é a vontade de ajudar a nossa equipe a vencer não por recompensas materiais, mas, para por em prática as nossas melhores potencialidades.

Que as Olimpíadas nos tragam uma mudança cultural. Que as nossas elites, juízes, políticos, administradores públicos, entendam que, enquanto é natural que os desvalidos busquem vantagens materiais,a partir de um certo ponto não se precisa mais seguir a mesma lógica. Os melhor dotados, ao fazê-lo desperdiçam o que os poderia levar a outra dimensão. Quem ama a sua vida acaba por perdê-la e quem, por amor, abre mão do conforto material encontra a vida eterna.

Que a partir das Olimpíadas, os líderes na área acadêmica assumam as responsabilidades de servir sem esperar receber em troca mais que a satisfação do dever cumprido. Que até aos grandes empresários chegue a consciência de que a sua responsabilidade para com a sua fortuna e os seus acionistas é menor que a sua responsabilidade para com os marginalizados e com as futuras gerações. Que a proteção social seja algo natural em vez de ser um instrumento para criar emprego para os cabos eleitorais. Que o voto seja o instrumento para participar do esforço pelo bem comum em vez da defesa de interesses privados.

Que a valorização do esporte seja a valorização da justiça, do trabalho e do amor.

sábado, 12 de julho de 2014

Holanda 3 X 0 Brasil

A influência do mando de campo é limitada. O entusiasmo da torcida pode afetar o ânimo dos atletas, mas atletas de alto desempenho, hoje em dia, prescindem dessa motivação externa. 
Só se pode esperar que a torcida no campo de futebol influencie o resultado do jogo, indiretamente, via pressão sobre o árbitro. A expectativa da reação da torcida pode influir na marcação dos lances duvidosos.
Com a autoridade infinita que lhe é dada hoje pela FIFA, o árbitro é decisivo. E ele precisa tomar decisões rápidas, muitas vezes com a visão encoberta ou com os atletas em movimento rápido. A propensão a não errar contra um dos times é o bastante para fazer desse time o vencedor.
Pensando assim, o governo brasileiro gastou milhões e milhões na construção de estádios de luxo, que exigem centenas de fiscais observando a torcida a cada jogo, na ilusão de que trazendo os jogos da Copa para o Brasil, seríamos campeões do mundo.
Ocorre que, nos jogos da Copa do Mundo, a torcida no estádio é uma fração muito pequena dos espectadores. Com a imagem de violência criada para os brasileiros, submeter-se à torcida do Brasil tornou-se para os árbitros o erro mais grave a evitar.
Eliminada, por uma derrota vergonhosa, a possibilidade de ser campeão, esperava-se que os brasileiros vaiassem seu time na disputa do terceiro lugar contra a Holanda. A FIFA pôde-se então dar o luxo de abrir mão de escalar um juiz europeu. Mas, quando o jogo começou, a torcida apoiava o time. E a arbitragem do norte da África, em duas decisões erradas, deu logo dois gols para a Holanda.
Com o confortável placar de 2 a zero, foi fácil para a Holanda conter o desfalcado, desarrumado e desmoralizado time do Brasil. Fez o terceiro gol nos acréscimos e poderia ter feito mais cinco.
Infeliz ideia a de trazer a Copa para o Brasil.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Flamengo 7 X 1 Brasil

A complacência do juiz inglês que deixava os chilenos baterem à vontade nos brasileiros não deve ser atribuída apenas a pressão psicológica criada nos dias que precederam o jogo. O comportamento do juiz espanhol do jogo contra a Colômbia permite concluir que o inglês compartilha um padrão de preconceito, que os colonizadores preservam por prazer.
Se esse juiz não tivesse visto falta quando Tiago Silva passou entre o goleiro e a bola e tivesse validado o gol resultante, o jogo se teria resolvido nesse momento e Neymar não precisaria, mais adiante, expor as costas à joelhada do colombiano. Mas, ele não sou achou que houve falta, mas, ainda julgou-a merecedora de cartão.
Estrelas da análise das arbitragens na imprensa brasileira justificaram a marcação da falta com o argumento de que o goleiro permanece de posse da bola enquanto a lança ao ar. Besteira! A orientação para considerar na posse do goleiro a bola lançada ao ar destina-se exclusivamente à contagem dos seis segundos para punição ao goleiro. Não estabelece um novo sentido para o fenômeno físico da posse de bola. Ninguém pode, ao mesmo tempo, soltar a bola, no chão ou no ar, e permanecer na posse dela.
Não acredito que o juiz espanhol racionasse assim. Tampouco suponho que pretendesse conscientemente favorecer França ou Alemanha na semifinal a seguir. Espanha, França e Alemanha pertencem todas à Comunidade Europeia. Mas, os alemães são diferentes dos espanhóis, como os brasileiros são diferentes dos argentinos. Para a FIFA, mesmo o País de Gales é diferente da Inglaterra. Ele apenas atendeu ao impulso de atribuir erro a um brasileiro.
O fato é que, por força dessa motivação inconsciente de um juiz espanhol, o Brasil entrou em campo contra a Alemanha sem dois dos seus melhores atletas, Tiago Silva e Neymar. 
O Brasil pleiteou anulação do cartão amarelo de Tiago Silva e punição para o agressor de Neymar. Não foi atendido. A mensagem era clara: não esperem justiça. E finalmente caiu a ficha: futebol não é só bola na pé.
Enquanto os brasileiros quebravam suas flechas contra os muros do Comité Disciplinar, os alemães azeitavam seus canhões no meio dos índios da Baía Cabrália. No dia seguinte, vestiram a camisa do Flamengo e se lançaram sobre um Brasil desfalcado e desmoralizado. Processou-se a carnificina.
E sintam-se honrados por pagar para ver isso de perto...

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Brasil 0 X 1 FIFA

Em memorável reportagem, o Jornal Nacional desta quarta-feira 1/7/2014 repercutiu a declaração do presidente da FIFA favorável a adotar o tira-teima no futebol. Pela manhã, na abertura do III Seminário sobre Gestão Esportiva da FGV, Blatter chegou a antecipar detalhes: cada treinador teria direito a desafiar duas decisões do juiz em cada jogo.
Ao longo desta Copa, Blatter já levantou três vezes a hipótese de a FIFA evoluir e permitir recorrer ao vídeo para corrigir erros durante os jogos. A repercussão na Imprensa brasileira tem sida mínima. O Globo, de hoje, por exemplo, ao noticiar o mesmo evento, colocou na primeira página os elogios e agradecimentos de Blatter ao povo brasileiro e, ao apresentar detalhes do seu pronunciamento, na penúltima página do seu Caderno da Copa, embaixo de uma coluna sobre automobilismo em que se discutiam as regras da Fórmula 1, não fez nenhuma referência á declaração sobre o uso de nova tecnologia no futebol.
Dois desafios por cada time é o que o futebol americano admitiu na última temporada. Só que, depois de muitos anos com desafios, os americanos já evoluíram para uma forma muito melhor. Nos lances em que o árbitro assinale o “touch down”, só confirma a decisão depois de rever o vídeo. Isso corresponderia no futebol, a deixar a jogada prosseguir – com ou sem bandeirinha levantada – e, em a bola entrando no gol, rever a jogada.
Os árbitros do futebol americano, nos lances duvidosos, passaram a marcar os pontos para depois rever a jogada. Nesse quadro, os desafios pelos treinadores tornaram-se um complemento de importância muito limitada.
O avanço com que a FIFA acena é tardio e muito modesto. Mas, é um gol da FIFA, que parece, para chegar a este ponto, estar vencendo resistências de dirigentes do futebol em muitos países.
Completando a reportagem, o Jornal Nacional exibiu a resposta do Ministro dos Esportes do Brasil: “Eu não sei se substituir o homem pela tecnologia em tudo, se isso não vai tirar algo também da emoção do futebol”, declarou o ministro Aldo Rebelo.
Esse é o argumento dos nossos cronistas esportivos, que, com raras exceções, entendem os meios de informação como “meios de emoção”. As grandes emoções são fruto das grandes verdades. É isso que o Jornal Nacional desta quarta-feira pode ter-lhes ensinado.
Nesta Copa do Mundo, com paralisações, para beber água e oitavas de final cheias de prorrogações, os níveis de audiência aos televisores foram incomparáveis. Nos intervalos, a atenção à TV esteve à altura da qualidade dos espetáculos. Só as injustiças perpetradas podem ter afastado espectadores.

O ministério dos Esportes existe para defender o espírito esportivo, para promover a justiça, não a emoção, sobretudo se esta é a raiva dos torcedores impotentes diante do arbítrio. Bola fora do governo do Brasil!

sábado, 28 de junho de 2014

Brasil 1 X 1 Chile


A arbitragem eliminou a Bósnia no jogo contra a Nigéria. Em compensação classificou a Suiça, eliminando o Equador no jogo contra a França. No primeiro caso, o juiz foi enganado pelo bandeirinha, mas, no segundo, a ordem para expulsar o capitão do Equador parece ter vindo de fora. 
A gente xinga o juiz, mas, os grandes golpes são dados fora de campo. Brasil X Chile costuma ter esses golpes. No menos conhecido, em 1962, na semifinal da Copa do Chile, caçado em campo pelos chilenos na vitória do Brasil por 4X2, Garrincha acabou agredindo um deles e foi expulso. A súmula, entretanto, não foi assinada pelo bandeirinha, já à época famoso pelas atuações suspeitas, desapareceu misteriosamente. Na falta do documento, a FIFA pôde desconhecer a expulsão e permitir Garrincha em campo na final. Resultado, Brasil bicampeão do mundo.
Em outro Brasil X Chile lamentável, o Brasil esteve limpo, embora a fogueteira Rosenery nem tanto. Graças a ela, o goleiro Rojas usou no momento errado a gilete que trazia na luva para simular um ferimento no Maracanã. Ficou provado que o sinalizador atirado por ela caiu longe dele. e a fraude não se pode sustentar. Era o último jogo para as eliminatórias da Copa de 90. Rojas, o médico e mais alguns chilenos foram banidos do futebol.
O Brasil X Chile desta Copa foi marcado pela pressão psicológica dos chilenos, incluindo o treinador e seu jogador mais valioso, sobre o árbitro. Pressões psicológicas seriam legítimas, não fora a posição vulnerável em que são colocados os árbitros pelo excesso de poder que lhes é conferido. Com isso, em vez de repetição da goleada habitual que a diferença de qualidade fazia esperar, com a anulação do gol legal de Hulk pelo juiz inglês, tivemos um jogo duro e a estúpida decisão por pênaltis.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Brasil 4 X 1 Camarões

Esperava-se uma goleada ainda maior.
 A seleção de Camarões se notabilizou nesta Copa do Mundo por duas atitudes. Primeiro, obteve um aumento no seu pagamento pela participação financeira no evento mediante uma ameaça de última hora de não viajar. Depois um de seus jogadores tentou agredir por trás, sem bola, o artilheiro da Croácia. No primeiro caso, o pequeno aumento pleiteado foi obtido e o voo foi atrasado apenas algumas horas. No segundo caso, o agressor foi expulso e a seleção de Camarões acabou goleada pela Croácia.
 A seleção do Brasil comportou-se melhor. Embora tenha havido a encenação de Fred induzindo o juiz a marcar pênalti contra a Croácia. E tenha havido uma negociação só revelada recentemente para garantir um prêmio em torno de um milhão de dólares para cada jogador, cerca do dobro do que acabaram recebendo os camaroneses.
Os canarinhos entraram em campo mais leves que os leões indomáveis. No futebol, a superioridade moral é decisiva. No caso, além do mais, a superioridade moral reflete a superioridade técnica. As limitações na qualidade do futebol é que obrigaram a seleção de Camarões a recorrer aos expedientes indignos.
O treinador de Camarões optou por jogar contra o Brasil sem o seu jogador mais habilidoso para castigá-lo por agredir um companheiro do time em pleno jogo. Esse mesmo atleta declarara dias atrás que jogava pelo dinheiro e não por prazer. O que o torna tão irascível e tão desgostoso do futebol? Gols mal anulados como o que resultou na eliminação antecipada da Bósnia e Herzegovina em mais um erro desastroso nesta Copa?
Prefiro esquecer por um momento a urgência de substituir os bandeirinhas por tecnologia mais moderna na aplicação da regra do impedimento. É mais provável que o que desgosta Assou Ekotto, já nomeado embaixador da ONU contra a Pobreza, seja o que se vê - ou se deixa de ver - fora das quatro linhas. Que as estrelas do espetáculo ganhem milhões é muito justo. O que não é justo é que não se esclareça bem onde vão parar os outros muitos milhões que passam pelos cofres da FIFA. 

terça-feira, 17 de junho de 2014

Brasil 0 X 0 México

O México já entrou em campo perdendo. Devido a um handicap de 3 gols, o do pênalti cavado pelo Fred e os dois que fez e foram anulados sob alegação de impedimento. A FIFA nesta Copa informa ao juiz se a bola cruzou a linha do gol, mas continua dando à arbitragem o poder de, com pênaltis e impedimentos, decidir os resultados.
Uma vez admitido que o juiz pode beneficiar-se do auxílio de câmaras em certos lances, porque não conceder-lhe um minuto para, antes de decidir, rever os lances em que a bola entra, ou em que ele suspeita de pênalti? A resposta é simples: porque dificulta a manipulação.
Desta vez, faltou coragem ao juiz para dar o pênalti sobre Marcelo que daria a vitória ao Brasil. Fez-se justiça com isso, compensando os favorecimentos anteriores? Claro que não. Fez-se confusão, complicação, bagunça! È assim que se vai mantendo a injustiça, no futebol, como em tudo mais.
Os torcedores são acusados de falta de educação quando, desesperados, xingam. Na abertura da Copa, saudaram a presidente da República com o coro habitualmente dirigido ao juiz. A Imprensa atribuiu o gesto à falta de educação da elite paulista, que, supostamente, constituiria a plateia desse jogo. Bobagem, quem xinga é o povo. E xinga as elites trapaceiras irmanadas, FIFA, políticos, Imprensa novelesca. Xinga porque não encontra outra forma de exigir respeito.
Se o presidente Obama aparecesse no telão neste jogo também seria xingado. Por torcedores do Brasil e do México. Não porque não gostemos dele. Mas, por não nos dar outra forma de protestar contra a hipocrisia dos países ricos que deixam passar por suas fronteiras, os bilhões ganhos em concorrências fraudulentas e em impostos sonegados, mas empregam trogloditas para impedir a entrada de trabalhadores que as suas empresas querem empregar e de estupefacientes que os seus cidadãos querem consumir.
Com o mesmo perfil de vira-latas, os mexicanos hoje igualaram os brasileiros e mostraram, no futebol, do que são capazes. Como os brasileiros, os jogadores mexicanos são leves, habilidosos, surpreendentes. Se nossas autoridades fossem devidamente vigiadas, nossos povos mostrariam ao mundo muito mais. Evitando os juízes ladrões, os países que aprenderam a driblar a fome e a enfrentar a violência estarão sempre entre os melhores no futebol.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Brasil 3 X 1 Croácia

A Croácia começou jogando feio. De fato, a proclamação da independência da Croácia foi a principal motivação para o esfacelamento da Iugoslávia depois do fim da Cortina de Ferro. Esfacelamento que teve como destaque o genocídio da Bósnia. Esfacelamento que significou o surgimento de meia dúzia de governos autônomos, livres para fazer os contratos e concessões que derem mais lucro aos governantes e aos seus corruptores. Livres para manipular o câmbio e fixar as taxas de conversão que enriqueçam os especuladores mais próximos...
Mas, a Croácia tinha suas riquezas e chegou a esta Copa do Mundo credenciada por um ataque ao banditismo. Ano passado, foi admitida na Comunidade Europeia e promete sanear os costumes de seus governantes a ponto de satisfazer as exigências para ser admitida na Zona do Euro. No futuro, quem sabe poderá ser seguida nesse caminho pelos vizinhos que deixou para trás.  Croácia um a zero.
Mas, é difícil para a Croácia chegar aos pés do Brasil, com os seus duzentos milhões de habitantes sob um governo central administrando uma moeda única. Ao Brasil basta proteger o seu Banco Central e a sua Receita Federal para acabar com as trapaças nas transações internacionais. Se a nova Lei Anti-Corrupção puder ser aplicada com transparência, livre dos arreglos da Justiça comprada, será um gol de placa.
Os olhos do mundo precisam voltar-se para cá. Boa parte dos pobres do mundo está aqui junto com boa parte da riqueza do mundo. Livrar o Brasil da roubalheira significa tirar rapidamente da pobreza a maioria de um país equivalente, em população, a 2/5 do total das 28 nações da Comunidade Europeia. Mas, para isso é preciso impedir os gols contra dos golpistas que estão criando tumulto na rua pensando em arranjar uma boquinha no governo. A Imprensa que abre suas manchetes para os baderneiros é a mesma que sempre gostou de apoiar toda ditadura que favoreça os negócios dos seus magnatas.

O que se enxerga nesta altura da Copa é um Brasil capaz de dar grandes lições aos poderosos, precisando apenas fortalecer a sua defesa contra o inimigo interno, acostumado a ganhar enganando juiz japonês.

sábado, 19 de abril de 2014

TV X Futebol

O Futebol e o Carnaval são os fenômenos culturais que melhor revelam a alma brasileira. E, como manifestações em que a beleza visual é empolgante, é natural que atraiam o interesse da TV. Esse interesse tem, entretanto, efeitos distintos. No Carnaval, canto e dança são expressões em busca de plateia. A TV atende a essa busca, cobrando em troca uma valorização das fantasias e alegorias. Encontrando quem pague pelos maiores custos envolvidos, as escolas de samba incorporaram com satisfação a opulência aos seus desfiles.
Já para o futebol brasileiro, a influência da TV tem sido apenas deletéria. Enquanto no desfile das escolas de samba, o resultado final é a combinação arbitrária das preferências subjetivas dos jurados que cada pessoa se sente à vontade para corrigir, o resultado do jogo de futebol é a verdade cuja descoberta fundamenta todo o interesse dos atletas tanto quanto dos espectadores. A beleza do futebol está na inteligência em dissimular os próximos movimentos e a vontade de chegar ao gol. O Brasil tem sido espetacular no futebol porque, nos nossos atletas, a habilidade nos movimentos ofensivos e a solidariedade nos defensivos surpreende o mundo. São qualidades de um povo que fazem do futebol brasileiro algo a ser visto com admiração.
Mas é preciso educar-se para apreciar o futebol. É fácil trazer as dezenas de milhares que lotam os estádios para diante da televisão, mas é difícil conquistar os milhões de espectadores que os patrocinadores dos programas de televisão exigem.
Para tornar o futebol mais rentável, a TV voltou-se para a emoção da torcida. O drible que se revela inconsequente passou a ser profligado. Do mesmo modo o recuo do atacante. Para a TV o que faz sentido é o prazer da vitória e a decepção do empate e da derrota. Por isso, importamos dos países que o Brasil derrotava em campo, os três pontos por vitória, o rebaixamento de mais de dois clubes, as brigas de torcidas...
Para a TV, o futebol tem de ser uma novela. A cada capítulo a trama evolui e ao final do ano chega o final feliz. A solução que a TV Globo encontra para preencher as suas cotas de audiência é tornar o mais querido sempre mais vencedor e, assim, cada vez mais popular. Para seus canais a cabo, passa a desenvolver o interesse das cidades sem clubes de tradição nacional em ver os clubes locais misturados aos grandes clubes do país e quiçá do mundo.
A pressão sobre os juízes para que ganhe o time da casa é tratada pela TV como ingrediente maior do espetáculo e passa a ser acompanhada de uma pressão maior, a dos comentaristas de arbitragem. A palavra do comentarista de arbitragem não pode ser questionada. Todos os programas do dia seguinte e os jornais da cadeia a repetem. Imagens são falsificadas e medições são fabricadas para confirmá-la. E se o comentarista de arbitragem manifestar opinião contrária ao interesse do patrão será demitido...

A esperança é que dê certo o chip na bola para confirmar a passagem da linha de gol e que seja logo substituído o bandeirinha pela revisão eletrônica das situações de impedimento. Senão, os juízes, reféns da crítica da TV, estarão cada vez mais decidindo os jogos a favor dos favoritos dela. E o futebol brasileiro cada vez mais sem graça...

domingo, 13 de abril de 2014

Vasco 3 X 0 Flamengo

Campeonato Estadual do Rio de Janeiro de 2014

Primeiro jogo.
Aos 11 minutos, Douglas cobra falta para o Vasco, a bola bate na trave e a seguir bate no chão dentro do gol,a uma distância de quase meio metro da linha final. O juiz não marca o gol.
O Vasco continua dominando o jogo e faz outro gol.
Aos 39 minutos, Elano cobra falta para o Flamengo. O goleiro do Vasco defende. No alto, é muito difícil ver se a bola chegou a entrar, mas, com alguma noção de perspectiva, pode-se perceber que rebateu a bola antes que ela transpusesse plenamente o plano vertical do gol, o que, pela regra seria necessário para ocorrer o gol. O juiz dá o gol para Flamengo.
Vergonha?

 Segundo jogo.
Aos 45 minutos do primeiro tempo, o Vasco vencendo por um a zero, Everton Costa bate o seu marcador e corre uns 30 metros em direção ao gol do Flamengo. Samir, zagueiro do Flamengo, vem em desabalada carreira em direção a sua trajetória e o atropela. Os jogadores do Flamengo gritam que Everton Costa se atirou ao chão antes de ser atingido. O juiz não dá o pênalti e dá cartão amarelo a Everton Costa por simulação.
Faz parte da mitologia do futebol, quando não tem coragem de marcar um pênalti, o juiz acusar o atacante de simulação. Mesmo que a intenção de enganar seja atribuída a um jogador que cai na corrida com a bola e é atacado por um defensor em alta velocidade.
No segundo tempo, em toda falta cometida por Everton Costa, os jogadores do Flamengo exigem o segundo cartão amarelo e a consequente expulsão. Afinal, o juiz os atende. Com um jogador a mais, cinco minutos depois o Flamengo empata o jogo e mantém o empate até o final.
Esse era o primeiro jogo da decisão do campeonato. Anderson Costa estava sendo o melhor jogador do Vasco e com a expulsão fica excluído do segundo jogo no domingo seguinte.
Vergonha? Vergonha.

Terceiro jogo.
O jogo chega ao fim do tempo regulamentar, com o Vasco ganhando pela terceira vez por um a zero. Nesse momento, em flagrante situação de impedimento, Márcio Araujo empata o jogo.
A arbitragem valida o gol e encerra o jogo. Com os dois empates, o Flamengo é campeão.
Festa da maior torcida da cidade, do país e do mundo? Choro dos vencidos?
Vergonha!!!Vergonha!!! Vergonha!!!

No fim de 2013, a torcida do Atlético Paranaense, honrando a camisa rubronegra, cumpriu ameaça de impedir a torcida do Vasco de apoiar o clube na última rodada do Campeonato Brasileiro e promoveu intimidação mortal não só dos torcedores, mas, principalmente, da delegação e dos jogadores do Vasco. Depois de mais de uma hora de interrupção, o jogo continuou, o Vasco foi esmagado. O resultado foi validado pelo Supremo Tribunal de Justiça Desportiva da CBF e, em consequência, o Vasco foi excluído da série A do campeonato.  Como punição pelo conflito entre torcedores nesse jogo, realizado em Joinville com mando de campo do Atlético Paranaense, o estádio do Vasco no Rio de Janeiro foi interditado pelo futebolístico tribunal.

Diante disso, eu tinha desistido de dar continuidade a este blog, mas, o presente registro merece ser feito. Parafraseando o compositor: se faltasse o Flamengo no mundo, eu teria um desgosto profundo. Pois, tanta covardia é um fenômeno de inocência que precisa ser preservado para estudo da Antropologia.  O que tem de mudar – e mudar já - é o futebol!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A Aposentadoria de Juninho

Neste início de 2014, Juninho acaba de anunciar o fim de sua carreira de jogador de futebol profissional. Sua trajetória atinge o ocaso com plena evidência, como sói ocorrer com as dos grandes atletas.
Os ídolos do futebol têm esta distinção. Têm pés de ouro, mas que caminham no barro. Convivem com o erro todo o tempo e chegam depressa ao ponto em que a única forma de manter na mente dos seus admiradores a imagem gloriosa é parar de jogar. Juninho se notabilizou pelos acertos monumentais.  Acertou, também, na hora de parar.
Eu, que o admiro até no erro daquele passe para trás quando poderia ter marcado o gol que faria o Vasco campeão no último minuto, acho esta oportunidade da aposentadoria o momento preciso para destacar as suas qualidades.
Em toda minha vida, só me lembro de ter assistido um treino do Vasco. Na Granja Comary, me chamou a atenção aquele jovem recém-contratado,  que protestava no final, aparentemente por não ter recebido o espaço de que se julgava merecedor. É o mesmo Juninho que, no último ano, foi levado ao tribunal, acusado de tratar desrespeitosamente a torcida do Flamengo.
Sua característica principal é a humildade. Mas, quando se trata de defender a virtude, não se esquiva de demonstrar o que sente.
Meus blogs foram criados para falar de três desprezados: O Vasco, a liberdade, a boa nova do o cristianismo. Sem esperança de mudar nada, neste 2014, resolvi dar um tempo. Cancelei minha assinatura dO Globo, vou tentar a proeza de encontrar um candidato a deputado que não proponha nenhuma nova lei e o que tiver a dizer de Jesus Cristo, direi ao próprio. A homenagem a um herói a caminho do ostracismo é o fecho ideal para esta minha humilde passagem pela causa pública.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Esboço de um pedido de justiça

DOS FATOS
Depois de dois indeferimentos sumários, o Presidente do STJD da CBF resolveu submeteu ao Plenário o pedido do Vasco de anulação do jogo contra o Atlético-PR. Quando? Ao final de uma sessão em que, depois de muitas horas de pitorescos pronunciamentos, tinham concluído a absurda entrega ao Fluminense da vaga ganha no campo antes da última rodada do campeonato pela Portuguesa. Então, em poucos minutos, por unanimidade, deliberaram que contra o Vasco deveria prevalecer o resultado do campo. Resultado de um jogo em que tirar o time de campo era expor jogadores, dirigentes e torcedores do Vasco à morte.
O que o Vasco pedia? Que fosse anulado um jogo paralisado por tempo superior ao permitido na regra, um jogo interrompido pela pancadaria, ao qual a Torcida Organizada do clube mandante avisou que mulheres e crianças não deveriam ir, para o qual o clube mandante limitou ao máximo a venda de ingressos para torcedores do Vasco - mais popular que ele no Estado - e no qual assumiu as funções de policiamento em lugar da segurança pública, um jogo no qual a delegação do Vasco assistia o jogo em camarotes cercados pela torcida do oponente.
Esclareça-se que, o problema começou quando a torcida “Fanáticos”, do Atlético-PR, atravessou a divisória entre as duas torcidas para atacar os vascaínos presentes no setor que lhes fora reservado da arquibancada. Ao contrário da torcida organizada do Atlético-PR,  o espaço destinado aos vascaínos estava praticamente lotado por torcedores de todos os gêneros, cores e classes sociais, conforme característica da torcida vascaína. Mesmo após a intervenção da polícia, a sensação era de total insegurança e, assim que o jogo recomeçou, os torcedores do Vasco procuraram deixar o local.

A seguir, transcrições do relato do Globo Esporte do desenvolvimento da Sessão Plenária do STJD, do qual não se conhece Ata, apenas transcrição das decisões fora da ordem de ocorrência das mesmas.


27/12/2013 13h06 - Atualizado em 27/12/2013 18h49
Em sessão com 'Pequeno Príncipe' e Mandela, Lusa cai e Flu se salva
Por unanimidade, Pleno do STJD mantém decisão de primeira instância e pune clube paulista com quatro pontos por escalar Heverton na partida contra o Grêmio
Por GloboEsporte.com Rio de Janeiro
Nelson Mandela, Nelson Rodrigues e “Pequeno Príncipe” foram personagens do julgamento no Pleno Tribunal do STJD que confirmou o rebaixamento da Portuguesa e a salvação do Fluminense. Por unanimidade, a decisão de primeira instância foi mantida. Foram oito votos pela condenação do time. Por conta da escalação de Heverton, que havia sido suspenso em julgamento dois dias antes, contra o Grêmio, a Lusa perdeu quatro pontos e, com isso, terá de disputar a Série B em 2014.
A equipe paulista ficou com 44 pontos, atrás do Fluminense, que terminou a competição com 46. Foi rebaixada ao lado de Vasco, Ponte Preta e Náutico. A Portuguesa mudou o rumo de sua defesa, o advogado João Zanforlin falou muito nos princípios do STJD, mas de nada adiantou num julgamento repleto de citações.
O procurador geral Paulo Schmitt usou o falecido Nelson Mandela para defender o tribunal, enquanto o advogado do Fluminense, Mário Bittencourt, citou Nelson Rodrigues e um trecho do livro “Pequeno Príncipe”, do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry e publicado em 1943.
O STJD alterou a ordem dos julgamentos e iniciou a sessão com o caso da Portuguesa. Um dos advogados do clube, Felipe Ezabella, pediu, em sua primeira manifestação, que o procurador geral do tribunal, Paulo Schmitt, fosse afastado do caso. Seu argumento é que Schmitt já havia se pronunciado na imprensa a favor da condenação da Lusa. O pedido foi negado por unanimidade.
João Zanforlin, encarregado de defender a equipe paulista, teve a palavra por 15 minutos. Ele contestou a redação do artigo que condenou a Portuguesa em primeira instância, e disse que ele é inconstitucional. Em seguida, usou como argumento o fato de o clube não ter tido má fé nem vantagem técnica ao utilizar Heverton contra o Grêmio.
- Ele é um atleta que atuou só em seis jogos, sempre entrando no segundo tempo. Ele é reserva, não tem qualidade técnica para desequilibrar uma partida.
Em seguida, Zanforlin citou entrevista do presidente da CBF, José Maria Marin, que disse que a decisão no campo deveria prevalecer. E afirmou que houve falha no sistema de informação da CBF aos clubes sobre impossibilidade de escalar o jogador.
Ao fim de sua explanação, o presidente do STJD, Flávio Zveiter, lhe concedeu mais dois minutos. Zanforlin aproveitou para citar o Estatuto do Torcedor, que determina que uma punição só se torna legal a partir do momento de sua publicação. No caso, o jogo foi disputado no domingo e a decisão do julgamento da sexta-feira foi publicada na segunda-feira.
Paulo Schmitt teve também 15 minutos para defender a condenação da Lusa. Exaltado, ele baseou boa parte de sua argumentação no fato de Heverton não ter comparecido ao julgamento.
- Esqueçam a boa fé, esse artigo nem fala de boa fé. A defesa que ele precisava era ter o atleta aqui e ele nunca veio - bradou.
Até o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, falecido no início deste mês, foi citado no final do discurso de Schmitt, que pediu perdão aos que tentaram atingir a honra do tribunal.
- Sugiro que façam como Nelson Mandela, tão sofrido, aconselhou a seu povo: perdoem, mas não esqueçam.
As menções não pararam por aí. Mário Bittencourt, advogado do Fluminense, usou o escritor Nelson Rodrigues e o livro “Pequeno Príncipe”.
- Nelson Rodrigues já dizia que nada é mais difícil e cansativo do que defender o óbvio. Estou estafado de ter que defender o óbvio, e imagino que os senhores também estejam - disse em direção aos membros do Pleno.
Bittencourt desqualificou a defesa da Portuguesa, disse que os argumentos de Zanforlin eram rasos e terminou o pedido de condenação do clube paulista, e a consequente salvação do Fluminense do rebaixamento, citando um trecho de “Pequeno Príncipe” em que se diz que o regulamento não deve ser entendido, apenas cumprido.
O último advogado a se manifestar foi Michel Assef Filho, do Flamengo, também punido em primeira instância com a perda de quatro pontos pela escalação do lateral André Santos na última rodada. Ele havia sido expulso na final da Copa do Brasil e cumpriu a suspensão na partida seguinte do Brasileirão, mas foi escalado após ter sido punido em julgamento.
Único a manter um tom de voz sereno durante sua argumentação, ele também criticou o sistema criado pela CBF para informar os clubes sobre quais atletas estão sem condições legais de atuar.
O relator Décio Neuhaus foi o primeiro a anunciar sua decisão. Ele admitiu que levou o voto pronto ao STJD, disse que poderia ter mudado de opinião após as manifestações dos advogados, e fez uma interminável explanação para votar pela condenação da Portuguesa.
Todos os demais sete integrantes acompanharam o voto do relator e a Lusa foi rebaixada. O Fluminense permaneceu na Série A.

27/12/2013 15h45 - Atualizado em 27/12/2013 16h52
Pleno do STJD nega recurso, mantém resultado, e Vasco vai jogar a Série B
Decisão em julgamento faz coro com o presidente do órgão, que indeferira pedido de impugnação do jogo contra Atlético-PR, por conta da briga entre torcidas, duas vezes
Por GloboEsporte.com Rio de Janeiro
O Vasco perdeu no tribunal, nesta sexta-feira, sua chance de tentar impugnar o resultado da partida contra o Atlético-PR (5 a 1), no dia 8 de dezembro, e assim não levou os três pontos que o salvariam do rebaixamento à Série B do Brasileirão. O Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) até acatou o pedido e permitiu que houvesse o julgamento de imediato, mas o recurso foi rejeitado por unanimidade de votos. Antes, o presidente do órgão, Flávio Zveiter, havia indeferido a ação por não ver base na mesma.
A decisão saiu depois de horas de julgamento dos outros casos, que confirmaram o rebaixamento da Portuguesa, livrando o Fluminense, e sustentou a perda dos pontos pelo Flamengo, que permanece na Série A. Ambos foram punidos por escalação de jogadores suspensos. Caso o Vasco obtivesse êxito, seria substituído no Z-4 justamente pelo rival rubro-negro.
- Acredito que o Vasco foi a vítima, e a vítima está sendo julgada, não tem direito de defesa e está indo para a Segunda Divisão, fato que é muito ruim para o clube. Agora vamos conversar com os nossos advogados, ver e buscar fazer o nosso melhor para permanecer na Primeira Divisão - afirmou
A alegação era que o Furacão, como mandante do confronto, tinha a responsabilidade de garantir a segurança e não o teria feito. Não havia policiais militares na arquibancada, o que facilitou a briga entre torcedores dos dois times. A defesa, comandada pela advogada Luciana Lopes, ressaltou que os atleticanos originaram o grave incidente, que interrompeu a partida por 73 minutos, com a operação de socorro aos feridos e a devida separação do público. O regulamento da CBF recomenda que o árbitro opte pela suspensão da partida diante da falta de condições depois de ultrapassados 60 minutos.
O julgamento começou com a leitura do processo protocolado pelo Vasco pelo auditor-relator Ronaldo Botelho Piacente. Em seguida, o presidente Flávio Zveiter passou a palavra a Luciana Lopes ao não receber objeções dos presentes para que houvesse as argumentações. A advogada usou a tese de que a parte psicológica dos atletas estava afetada por causa do ocorrido e, principalmente, de que a Arena Joinville não poderia abrigar o jogo, já que "nem mesmo extintor possuía" e "não havia área de escape para os torcedores". Ela também citou que a torcida do Furacão proibiu a presença de mulheres e crianças, prevendo um confronto.
O procurador-geral do STJD, Paulo Schmitt, não concordou com a ação vascaína e, em seguida, enfatizou que o árbitro mineiro Ricardo Marques Ribeiro foi absolvido no plenário, no dia 13, e sequer houve recurso contra isto. Ele afirmou que talvez o jogo não devesse ter se iniciado, mas o reinício foi correto. O advogado do Furacão, Domingos Moro, disse que não havia amparo jurídico para a tentativa e ressaltou que a partida, disputada até o fim, acabou 5 a 1, e o adversário buscava a inversão do placar para 0 a 3, algo, em sua visão, sem cabimento.
Em seguida, um a um, os relatores mantiveram a posição de Zveiter ao apontar como improcedente a solicitação do Vasco. O primeiro a votar foi o leitor do processo, Ronaldo Botelho Piacente, que se baseou em documentos e relatórios provenientes do julgamentos dos mandos de campo, da polícia e dos autos do processo. Foi possível notar que Roberto Dinamite balançava a cabeça negativamente à medida em que as frases eram proferidas. Ele estava ao lado do vice geral, Antônio Peralta, e recebeu reverência dos auditores presentes.
Os recursos de Vasco e Atlético-PR a respeito das perdas de mando de campo (oito e 12, respectivamente) e das multas (R$ 80 mil e R$ 140 mil), por causa das brigas, serão julgados apenas em janeiro, em dia ainda não determinado.
Mais do que fazer justiça ao Vasco neste caso, o que é preciso é romper a ostensiva propaganda que o Futebol faz desavergonhadamente do mais hediondo dos regimes civis, a demagogia. É na democracia, há muito vilipendiada pela FIFA e a CBF, que se desfere mais este golpe.
A autoridade absoluta de árbitros e tribunais não resulta apenas no favorecimento aqui e acolá de um clube e outro. A humilhação do Vasco da Gama e da Portuguesa de Desportos é repetição de um sacrifício permanente da dignidade do povo brasileiro no altar da demagogia.

DO DIREITO
O art. 5º, XXXV, da nossa Carta Magna afirma peremptoriamente que nenhuma lesão ou ameaça a direito pode ser excluída da apreciação do Poder Judiciário. O autoritarismo no esporte ameaça a democracia.
Em seu artigo 2º, a Lei Pelé realça o papel do esporte de direito individual do cidadão e alça a qualidade à posição de princípio básico do esporte:
Art.  O desporto, como direito individual, tem como base os princípios:
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IX - da qualidade, assegurado pela valorização dos resultados desportivos, educativos e dos relacionados à cidadania e ao desenvolvimento físico e moral;

O artigo 10 do Estatuto do Torcedor (Lei 10.671, de 15 de maio de 2003) estabelece que a participação em competições deve obedecer exclusivamente ao critério técnico preestabelecido. Isto decorre do valor do esporte de formar e educar.
Vão neste mesmo sentido a Lei 11.438, de 29 de dezembro de 2006 (Lei de Incentivo ao Esporte) e a Lei n. 12.299, de 27 de julho de 2010 (atualização do Estatuto do Torcedor).
A Lei de Moralização do Futebol, sob n. 10.672, de 15 de maio de 2003, em seu artigo 3º, alterou a redação do artigo 4º, § 2º, da Lei Pelé atribuindo a toda organização desportiva do país o caráter de patrimônio cultural brasileiro. O Vasco da Gama, pela sua gloriosa tradição de defesa dos humildes e dos discriminados é especialmente merecedor dessa proteção.
A Lei Complementar n. 75, de 20 de maio de 1993, que dispõe sobre a organização, as atribuições e o estatuto do Ministério Público da União (MPU),  no seu artigo 5º, inciso III, c, lhe atribui a defesa do patrimônio cultural brasileiro.

DO PEDIDO
Pleiteio atuação do Ministério Público da União nesta circunstância não somente como torcedor do Vasco visando a reintegrar o clube afastado da série A por flagrante injustiça, mas, principalmente, como cidadão, em defesa da democracia no futebol.
Pelo menos duas alterações devem ser exigidas da CBF antes que os gastos bilionários com a Copa do Mundo no Brasil sirvam apenas para nos encher de vergonha. A primeira, a revogação da suposta incomunicabilidade do árbitro, que a FIFA deseja sujeito apenas ao clamor da torcida. O juiz, antes de decidir, tem de ter o direito de rever as gravações dos lances duvidosos - gravações hoje rapidamente disponíveis. Depois do flagrante do Edilson, sustentar a infalibilidade de sua excelência é apologia ao autoritarismo e à demagogia.

A segunda mudança é a moralização da Justiça Desportiva da CBF. Para tanto deve-se compor os tribunais e demais comissões da CBF por atletas e ex-atletas profissionais  selecionados por concurso público e não por indicação, em substituição aos notáveis que hoje estão lá para sacrificar a Justiça à satisfação dos clubes mais populares.