A Croácia começou jogando feio. De fato, a proclamação da
independência da Croácia foi a principal motivação para o esfacelamento da
Iugoslávia depois do fim da Cortina de Ferro. Esfacelamento que teve como
destaque o genocídio da Bósnia. Esfacelamento que significou o surgimento de
meia dúzia de governos autônomos, livres para fazer os contratos e concessões
que derem mais lucro aos governantes e aos seus corruptores. Livres para
manipular o câmbio e fixar as taxas de conversão que enriqueçam os especuladores
mais próximos...
Mas, a Croácia tinha suas riquezas e chegou a esta Copa do
Mundo credenciada por um ataque ao banditismo. Ano passado, foi admitida na
Comunidade Europeia e promete sanear os costumes de seus governantes a ponto de
satisfazer as exigências para ser admitida na Zona do Euro. No futuro, quem
sabe poderá ser seguida nesse caminho pelos vizinhos que deixou para trás. Croácia um a zero.
Mas, é difícil para a Croácia chegar aos pés do Brasil, com
os seus duzentos milhões de habitantes sob um governo central administrando uma
moeda única. Ao Brasil basta proteger o seu Banco Central e a sua Receita
Federal para acabar com as trapaças nas transações internacionais. Se a nova
Lei Anti-Corrupção puder ser aplicada com transparência, livre dos arreglos da
Justiça comprada, será um gol de placa.
Os olhos do mundo precisam voltar-se para cá. Boa parte dos
pobres do mundo está aqui junto com boa parte da riqueza do mundo. Livrar o
Brasil da roubalheira significa tirar rapidamente da pobreza a maioria de um
país equivalente, em população, a 2/5 do total das 28 nações da Comunidade
Europeia. Mas, para isso é preciso impedir os gols contra dos golpistas que
estão criando tumulto na rua pensando em arranjar uma boquinha no governo. A
Imprensa que abre suas manchetes para os baderneiros é a mesma que sempre gostou
de apoiar toda ditadura que favoreça os negócios dos seus magnatas.
O que se enxerga nesta altura da Copa é um Brasil capaz de
dar grandes lições aos poderosos, precisando apenas fortalecer a sua defesa
contra o inimigo interno, acostumado a ganhar enganando juiz japonês.
Não chega a ser de um ufanismo ímpar, mas é uma visão otimista. A meu ver, de fato, temos todas as condições de superarmos o atraso se entendermos que todo o poder emana do povo: os três poderes, corruptos como são, representam um povo que sempre aceitou a corrupção e a injustiça. Vide o penalty cavado. Se o povo entender que os fins não justificam quaisquer meios e escolher representantes que busquem o interesse público e respeitem valores éticos nesta busca. Se entender que perder não é pior do que roubar, o país tem plenas condições de se reconstruir.
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