Em tempo de guerra, os poderosos podem
apropriar-se sem resistência de bens e direitos do povo que, na paz, estariam
mais protegidos. Para criar a ilusão de guerra, a Imprensa, nosso Quarto Poder,
cria ameaças que nos assustam. Assim, a ameaça dos marginais substitui a ameaça
externa. E campanhas exaltando o interesse de pequenos grupos são forjadas:
guerra das empregadas contra o uniforme nos clubes, guerra para favorecer aqui
e ali grupos que se declarem negros ou índios...
O esporte pode ensinar a viver o conflito
amistosamente. Em vez disso, nossa Imprensa transformou o futebol em guerra. O
vale-tudo que começa nas reportagens tendenciosas é que termina nos embates de
torcidas.
Todas as pessoas aspiram por identidade e
sentido. A transformação do esporte em guerra é mais séria do que parece porque
encaminha para a identificação sectária, que desemboca no totalitarismo, com
desdobramentos sinistros até para a própria imprensa e todos os demais
detentores hoje do poder. Ao contrário, a paz do esporte abre o espaço para a
identificação com o humano e a descoberta de um sentido pessoal para cada um na
luta de todos pelo bem comum.
Inebriada pelo poder, a Grande Imprensa
não percebe a urgência dessa luta. Está chegando depressa o tempo em que
precisaremos gerar uma nova humanidade capaz de enfrentar, já não a
superexploração de recursos humanos, mas de outros recursos naturais sem os
quais explorados e exploradores não sobreviverão.
Proponho que a campanha do Vasco em 2014 tenha como objetivo regras justas para mostrar quem é o melhor: que os erros dos
bandeirinhas sejam corrigidos no próprio campo, que todos os jogos valham dois
pontos, que os gols valham a mesma coisa em casa e fora de casa, que não haja
mais ameaças de rebaixamento associadas a preenchimento de cotas. São
princípios de bom senso que, face à realização da Copa do Mundo no Brasil,
poderemos implantar na CBF e na FIFA. Eu acredito: todos os brasileiros seremos
capazes de nos unir em torno disto.
Quando o bandeirinha sinaliza impedimento,
a jogada deve prosseguir até que a bola entre ou saia ou o juiz perceba outra
infração. Se a jogada termina em gol, examinando gravações, em menos de um
minuto, o juiz pode confirmá-lo ou anulá-lo com certeza. Isto é um exemplo do
que pode ser implantado já, em jogos importantes como os da Copa do Mundo que
está vindo.
Para conquistar isso, quem ama a justiça
vai se unir. Que táticas adotar para consegui-lo, fica por conta da torcida do
Vasco.