quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

A Paz no Futebol

Em tempo de guerra, os poderosos podem apropriar-se sem resistência de bens e direitos do povo que, na paz, estariam mais protegidos. Para criar a ilusão de guerra, a Imprensa, nosso Quarto Poder, cria ameaças que nos assustam. Assim, a ameaça dos marginais substitui a ameaça externa. E campanhas exaltando o interesse de pequenos grupos são forjadas: guerra das empregadas contra o uniforme nos clubes, guerra para favorecer aqui e ali grupos que se declarem negros ou índios...
O esporte pode ensinar a viver o conflito amistosamente. Em vez disso, nossa Imprensa transformou o futebol em guerra. O vale-tudo que começa nas reportagens tendenciosas é que termina nos embates de torcidas.
Todas as pessoas aspiram por identidade e sentido. A transformação do esporte em guerra é mais séria do que parece porque encaminha para a identificação sectária, que desemboca no totalitarismo, com desdobramentos sinistros até para a própria imprensa e todos os demais detentores hoje do poder. Ao contrário, a paz do esporte abre o espaço para a identificação com o humano e a descoberta de um sentido pessoal para cada um na luta de todos pelo bem comum. 
Inebriada pelo poder, a Grande Imprensa não percebe a urgência dessa luta. Está chegando depressa o tempo em que precisaremos gerar uma nova humanidade capaz de enfrentar, já não a superexploração de recursos humanos, mas de outros recursos naturais sem os quais explorados e exploradores não sobreviverão.
Por isso é tão importante que o Vasco dê a resposta certa à violência de que vem sendo vítima. Que retire dos golpes sofridos em 2013 a motivação para assumir a posição de campeão da paz no futebol. A ele se poderão unir todos os clubes que têm grandes torcidas porque têm tradição de investir na formação de grandes times embora sejam derrotados pela proteção aos favoritos da Imprensa. E, afinal, o amor ao esporte poderá prevalecer em todas as torcidas.
Proponho que a campanha do Vasco em 2014 tenha como objetivo regras justas para mostrar quem é o melhor: que os erros dos bandeirinhas sejam corrigidos no próprio campo, que todos os jogos valham dois pontos, que os gols valham a mesma coisa em casa e fora de casa, que não haja mais ameaças de rebaixamento associadas a preenchimento de cotas. São princípios de bom senso que, face à realização da Copa do Mundo no Brasil, poderemos implantar na CBF e na FIFA. Eu acredito: todos os brasileiros seremos capazes de nos unir em torno disto.
Quando o bandeirinha sinaliza impedimento, a jogada deve prosseguir até que a bola entre ou saia ou o juiz perceba outra infração. Se a jogada termina em gol, examinando gravações, em menos de um minuto, o juiz pode confirmá-lo ou anulá-lo com certeza. Isto é um exemplo do que pode ser implantado já, em jogos importantes como os da Copa do Mundo que está vindo.
Para conquistar isso, quem ama a justiça vai se unir. Que táticas adotar para consegui-lo, fica por conta da torcida do Vasco. 


sábado, 14 de dezembro de 2013

O sentimento não pode parar!

A gloriosa nau está destroçada. Mas, ainda somos capazes de lutar. Sob perseguição insidiosa e implacável, aprendemos a não nos render. Erramos, mas sob pressão tremenda, quem não erra? E sob os golpes permanecemos de pé.
O Vasco entrou 2013 sem dinheiro e sem patrocínios. E só não foi campeão estadual por um jogo em que erros sucessivos da arbitragem deram um gol ao adversário no final e o impediram de empatar nos minutos seguintes. O time perdeu a confiança, o técnico excelente foi demitido. Ainda assim foi eliminado da Copa do Brasil por um gol mal-anulado. E, no Brasileiro, mesmo sob críticas incessantes, resistiu até à última rodada.
Como foi este último combate? O Atlético-PR marcou o jogo para um campo de um estado vascaíno. Pensamos em encher o estádio. Mas, eles tinham outros planos. Limitaram a venda de ingressos para o Vasco, assumiram a segurança e sua torcida organizada anunciou a violência, que acabou ocorrendo, expulsando a maioria da nossa torcida e sitiando os nossos jogadores. Devíamos ter tirado o time de campo? Nesse caso, protegeria a polícia no tumulto que se seguiria, não só os nossos atletas, mas, também a nossa torcida nas ruas em torno?
Agora a reclamação do Vasco não é sequer recebida pelo Tribunal de Justiça Desportiva e o clube é punido junto com o Atlético-PR. Torcedores do Vasco foram mostrados brigando e, para fingir que são capazes de conter a violência das torcidas, as autoridades ferem novamente o Vasco. Cabe lembrar que o Vasco já tinha sido prejudicado no campeonato deste ano porque sua torcida organizada enfrentou a do Coríntians. Preocupada em passar ao mundo a ilusão de que a violência está sendo combatida, a Grande Imprensa aplaude essa injustiça. E, no entanto, a maior causa da violência das torcidas é a desonestidade dessa Grande Imprensa. É ela que acoberta a parcialidade nas arbitragens! O Atlético-PR não queria a torcida do Vasco presente simplesmente, porque, obrigado a jogar fora da sua cidade, queria manter o poder do time mandante de pressionar o juiz...
2014 será mais um ano triste para o Vasco. Mas, para o Brasil pode ser o ano da virada. Vamos enfrentar a violência na sua origem! Temos sido saco de pancada por aceitarmos lutar sob regras desiguais. Agora, pode ser tarde para nós, mas ainda podemos lutar pela Justiça. Quem pode acreditar que a Justiça é um valor em um país em que se vê, no esporte mais prestigiado, autoridades corruptas podendo fazer o que quiserem?
Proponho que a torcida do Vasco se torne porta-bandeira do controle dos erros de arbitragem. Para isto que exija que se copiem do futebol americano as regras para os times pedirem a revisão eletrônica imediata de erros. Custará, para a FIFA, apenas proibir os árbitros de paralisar as jogadas próximo ao gol antes que se concluam e, para a TV, apenas flexibilizar sua programação em uns dez minutos nos dias de jogo.
Como conseguiremos isso? Vamos, enquanto não sejamos atendidos, transformar em áreas de lazer, nos dias de jogos, todas as ruas no entorno dos estádios da Copa do Mundo. Idosos, crianças e mulheres apenas, cercando os poderosos com a sua resistência pacífica. Veículos da imprensa, times e autoridades, se quiserem chegar ao estádio, terão de passar antes das oito da manhã. Das oito às oito, as ruas serão do povo, ordeiro mas firme, manifestando-se pela honra do esporte no Brasil...
O Vasco é o time do amor e em todos os estados há imensidão de vascaínos para organizar isto.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Atlético-PR XXX Vasco



Cansei. Aqui me despeço. Mas, quero fazer um último registro deste jogo. Com as medidas sinistras tomadas durante a semana para afastar do campo de Joinville os torcedores do Vasco, os dirigentes do Atlético-PR contribuíram para o horrível desfecho, mas as causas principais não estão aí. Como venho repetindo, o problema, ao mesmo tempo mais simples e mais profundo, está no poder do juiz.
A violência das torcidas não se resolve com polícia e punição dos clubes, como pede hoje o jornal cuja assinatura já cancelei. Sua causa última está na irresponsabilidade das autoridades do Quarto Poder. Ironicamente, ela parece que virá atingi-los em cheio no ano de Copa do Mundo e eleição presidencial, com os vândalos se deslocando para as manifestações políticas desde a Copa das Confederações.
Julgando que o entretenimento com o esporte não afeta seus interesses, deixaram o domínio dessa área da Imprensa para a paixão clubística. Resultado: a noção de que cabe à torcida coibir os abusos dos árbitros, em vez de combatida depois da evidência concedida pelo “escândalo do Edilson”, tem sido exaltada. Do outro lado, a pleito pelo direito dos clubes à revisão eletrônica de um pequeno número de decisões nos jogos da primeira divisão não repercute, por supostamente ameaçar a regularidade da duração do espetáculo e da programação da TV.
A polícia de Santa Catarina e os representantes da CBF agiram corretamente ao respaldar a decisão do juiz de obrigar o Vasco a permanecer em campo, dando oportunidade de deixar o estádio durante o prolongamento do jogo à parte da sua torcida que não se arriscara a sair durante a interrupção de mais de uma hora. A suspensão definitiva do jogo poderia aumentar a dimensão da tragédia.
Uma última sugestão para manter o interesse por todas as partidas do campeonato de pontos corridos e fortalecer o critério do mérito nas decisões sobre o rebaixamento de quatro entre vinte clubes em um país em que há mais de dez clubes de primeira linha: o número de vitórias e empates e o número de gols marcados e sofridos podem ser combinados em uma regra pré-definida, mas, com sua importância determinada dentro do próprio algoritmo de decisão. Pode-se produzir um algoritmo automático em que na última rodada, cada gol possa afetar o destino de muito mais clubes e o efeito da contribuição do juiz de cada partida não possa ser antecipado.
E um último lembrete: a pontuação para a escolha do campeão tem de ser simétrica; os três pontos por vitória são uma aberração que não consegue, via de regra, levar o interesse pela decisão sobre quem será o primeiro e quem será o último colocado até o fim do campeonato.