Esperava-se uma goleada ainda maior.
A seleção de Camarões
se notabilizou nesta Copa do Mundo por duas atitudes. Primeiro, obteve um
aumento no seu pagamento pela participação financeira no evento mediante uma
ameaça de última hora de não viajar. Depois um de seus jogadores tentou agredir
por trás, sem bola, o artilheiro da Croácia. No primeiro caso, o pequeno aumento
pleiteado foi obtido e o voo foi atrasado apenas algumas horas. No segundo
caso, o agressor foi expulso e a seleção de Camarões acabou goleada pela
Croácia.
A seleção do Brasil
comportou-se melhor. Embora tenha havido a encenação de Fred induzindo o juiz a
marcar pênalti contra a Croácia. E tenha havido uma negociação só revelada
recentemente para garantir um prêmio em torno de um milhão de dólares para cada
jogador, cerca do dobro do que acabaram recebendo os camaroneses.
Os canarinhos entraram em campo mais leves que os leões
indomáveis. No futebol, a superioridade moral é decisiva. No caso, além do
mais, a superioridade moral reflete a superioridade técnica. As limitações na
qualidade do futebol é que obrigaram a seleção de Camarões a recorrer aos expedientes
indignos.
O treinador de Camarões optou por jogar contra o Brasil sem
o seu jogador mais habilidoso para castigá-lo por agredir um companheiro do
time em pleno jogo. Esse mesmo atleta declarara dias atrás que jogava pelo
dinheiro e não por prazer. O que o torna tão irascível e tão desgostoso do
futebol? Gols mal anulados como o que resultou na eliminação antecipada da
Bósnia e Herzegovina em mais um erro desastroso nesta Copa?
Prefiro esquecer por um momento a urgência de substituir os
bandeirinhas por tecnologia mais moderna na aplicação da regra do impedimento.
É mais provável que o que desgosta Assou Ekotto, já nomeado embaixador da ONU
contra a Pobreza, seja o que se vê - ou se deixa de ver - fora das quatro
linhas. Que as estrelas do espetáculo ganhem milhões é muito justo. O que não é
justo é que não se esclareça bem onde vão parar os outros muitos milhões que
passam pelos cofres da FIFA.
Nenhum comentário:
Postar um comentário