O lateral direito Lucas, do Botafogo, foi aclamado o melhor
jogador em campo depois de marcar dois belos gols na vitória por 3X2 do seu
clube sobre o Coritiba, no campo do oponente, no domingo, 27/5/2012. No jogo
anterior, também teve brilhante contribuição para a vitória de 4 a 2 sobre o São
Paulo. Mas, sua escalação para essa partida foi considerada surpreendente, face
ao papel que desempenhou nos dois jogos anteriores.
No dia 9 de maio, foi execrado ao ser expulso de campo ao impedir
com a mão gol do Vitória em jogo da Copa do Brasil, no final do primeiro tempo,
quando o Botafogo vencia por 1X0. Com um jogador a menos, o Botafogo acabou
derrotado por 2 X1 e foi eliminado da competição.
Mais recriminado ainda fora no dia 6 de maio, em partida
final do campeonato carioca. O Botafogo entrava em campo após 23 partidas invictas.
Aos 10 minutos do segundo tempo, com o placar em 1X1, Lucas foi expulso ao
receber segunda punição com cartão amarelo. O jogo terminou com vitória do
Fluminense por 4X1.
O que merece ser destacado é que essa primeira expulsão, que
talvez possa explicar a segunda, que por sua vez poderia ter resultado em sério
golpe na carreira do jogador, não fora a decisão do treinador de mantê-lo na
equipe nos jogos seguintes, é um tipo de expulsão muito comum no futebol.
Não se assemelha à expulsão de Valdir Papel, atacante do
Vasco que recebeu o segundo cartão amarelo pela segunda falta aos quinze minutos
do primeiro tempo do jogo final da Copa Brasil de 2006. Esta foi uma expulsão
para facilitar o trabalho do árbitro, de assegurar a vitória do Flamengo sobre
o Vasco. Era preciso evitar episódios do tipo do que sucedeu ao gol do
argentino Valido que deu ao Flamengo a vitória por 1X0 na final do campeonato
carioca de 1944, ao cabecear apoiado nos ombros do vascaíno Argemiro no Estádio
da Gávea, faltando 5 minutos para o fim do jogo - esses cinco minutos a torcida
passou preparada para entrar em campo para evitar o gol de empate que daria o
campeonato ao Vasco e atirando a bola na Lagoa. Ou como a invasão do campo do Maracanã
pelo ladrilheiro que tumultuou os últimos cinco minutos do terceiro jogo da
final do campeonato carioca de 1981 para evitar que o Vasco marcasse um gol e
se tornasse campeão depois de ter vencido os dois jogos finais anteriores. Esse
tipo de façanha era aplaudido pela imprensa nessa época, como a forma de o Mais
Querido vencer o adversário mais forte. Mas, com a virada do século, o Mais
Querido passou a dever ser também o mais forte – o campeão incontestável.
Já a expulsão do Lucas foi diferente. Ao ver sua
ousadia, ao reclamar do árbitro minutos antes, era possível prever a expulsão.