A influência do mando de campo é limitada. O entusiasmo da torcida pode afetar o ânimo dos atletas, mas atletas de alto desempenho, hoje em dia, prescindem dessa motivação externa.
Só se pode esperar que a torcida no campo de futebol influencie o resultado do jogo, indiretamente, via pressão sobre o árbitro. A expectativa da reação da torcida pode influir na marcação dos lances duvidosos.
Com a autoridade infinita que lhe é dada hoje pela FIFA, o árbitro é decisivo. E ele precisa tomar decisões rápidas, muitas vezes com a visão encoberta ou com os atletas em movimento rápido. A propensão a não errar contra um dos times é o bastante para fazer desse time o vencedor.
Pensando assim, o governo brasileiro gastou milhões e milhões na construção de estádios de luxo, que exigem centenas de fiscais observando a torcida a cada jogo, na ilusão de que trazendo os jogos da Copa para o Brasil, seríamos campeões do mundo.
Ocorre que, nos jogos da Copa do Mundo, a torcida no estádio é uma fração muito pequena dos espectadores. Com a imagem de violência criada para os brasileiros, submeter-se à torcida do Brasil tornou-se para os árbitros o erro mais grave a evitar.
Eliminada, por uma derrota vergonhosa, a possibilidade de ser campeão, esperava-se que os brasileiros vaiassem seu time na disputa do terceiro lugar contra a Holanda. A FIFA pôde-se então dar o luxo de abrir mão de escalar um juiz europeu. Mas, quando o jogo começou, a torcida apoiava o time. E a arbitragem do norte da África, em duas decisões erradas, deu logo dois gols para a Holanda.
Com o confortável placar de 2 a zero, foi fácil para a Holanda conter o desfalcado, desarrumado e desmoralizado time do Brasil. Fez o terceiro gol nos acréscimos e poderia ter feito mais cinco.
Infeliz ideia a de trazer a Copa para o Brasil.