Em
memorável reportagem, o Jornal Nacional desta quarta-feira 1/7/2014 repercutiu
a declaração do presidente da FIFA favorável a adotar o tira-teima no futebol.
Pela manhã, na abertura do III Seminário sobre Gestão Esportiva da FGV, Blatter
chegou a antecipar detalhes: cada treinador teria direito a desafiar duas
decisões do juiz em cada jogo.
Ao longo
desta Copa, Blatter já levantou três vezes a hipótese de a FIFA evoluir e
permitir recorrer ao vídeo para corrigir erros durante os jogos. A repercussão
na Imprensa brasileira tem sida mínima. O Globo, de hoje, por exemplo, ao
noticiar o mesmo evento, colocou na primeira página os elogios e agradecimentos
de Blatter ao povo brasileiro e, ao apresentar detalhes do seu pronunciamento,
na penúltima página do seu Caderno da Copa, embaixo de uma coluna sobre
automobilismo em que se discutiam as regras da Fórmula 1, não fez nenhuma
referência á declaração sobre o uso de nova tecnologia no futebol.
Dois
desafios por cada time é o que o futebol americano admitiu na última temporada.
Só que, depois de muitos anos com desafios, os americanos já evoluíram para uma
forma muito melhor. Nos lances em que o árbitro assinale o “touch down”, só
confirma a decisão depois de rever o vídeo. Isso corresponderia no futebol, a
deixar a jogada prosseguir – com ou sem bandeirinha levantada – e, em a bola
entrando no gol, rever a jogada.
Os
árbitros do futebol americano, nos lances duvidosos, passaram a marcar os
pontos para depois rever a jogada. Nesse quadro, os desafios pelos treinadores tornaram-se
um complemento de importância muito limitada.
O avanço
com que a FIFA acena é tardio e muito modesto. Mas, é um gol da FIFA, que
parece, para chegar a este ponto, estar vencendo resistências de dirigentes do
futebol em muitos países.
Completando
a reportagem, o Jornal Nacional exibiu a resposta do Ministro dos Esportes do
Brasil: “Eu
não sei se substituir o homem pela tecnologia em tudo, se isso não vai tirar
algo também da emoção do futebol”, declarou o ministro Aldo Rebelo.
Esse é o argumento dos nossos
cronistas esportivos, que, com raras exceções, entendem os meios de informação
como “meios de emoção”. As grandes emoções são fruto das grandes verdades. É
isso que o Jornal Nacional desta quarta-feira pode ter-lhes ensinado.
Nesta Copa do Mundo, com
paralisações, para beber água e oitavas de final cheias de prorrogações, os
níveis de audiência aos televisores foram incomparáveis. Nos intervalos, a
atenção à TV esteve à altura da qualidade dos espetáculos. Só as injustiças
perpetradas podem ter afastado espectadores.
O ministério dos Esportes
existe para defender o espírito esportivo, para promover a justiça, não a emoção,
sobretudo se esta é a raiva dos torcedores impotentes diante do arbítrio. Bola
fora do governo do Brasil!
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