Marketingreign é um país moderno. Em Marketingreign, a
campanha eleitoral é uma guerra. Aceita essa premissa, a presidente,
pessoalmente, partiu para caluniar a concorrente que as pesquisas eleitorais
demonstravam ser a mais perigosa, até eliminar o risco. O ex-presidente que se
vangloria de ser capaz de eleger um poste, quando as limitações dela para a
função pública se revelaram bem maiores que as de um poste, partiu para a
injúria contra o oponente que restou.
Os crimes contra a
honra são os mais compreensíveis dos crimes de guerra. Uma vez ganha a eleição, basta
uma retratação qualquer, um convite ao diálogo, mais um pouco de marketing em
torno da coragem do vencedor em usar todos os recursos a seu alcance e da indignidade
do derrotado se acusar o golpe, e não se fala mais nisso. Em poucos dias, toda Marketingreign
se convence de que contestar a lisura do pleito é que é golpismo.
A legislação eleitoral, assim como o Código Penal de Marketingreign,
está entre as melhores do mundo. Antes de pleitear que seja aperfeiçoada, os
cidadãos pensantes pensam: quem elaborará as mudanças? quem comandará a opinião
pública no plebiscito ou no referendo que as consagrará? E preferem calar-se.
Tenho uma exótica solução que dá uma esperança a Marketingreign.
Deixem a reforma eleitoral para depois e contentem-se, primeiro, em recuperar o
futebol, o cambaleante esporte nacional de lá.
No esporte, as crianças recebem os valores do país. Em
Marketingreign, as crianças aprendem a amar o seu clube de futebol. Só que,
logo depois, descobrem que não importa para o clube ser o melhor em campo, mas,
sim, o mais eficiente em conquistar pontos que o coloquem entre os quatro
primeiros no campeonato e impeçam que fiquem entre os quatro últimos. E que,
como "regra é regra", não importa se esses pontos são conquistados coagindo o
juiz, corrompendo dirigentes de outros clubes para que percam pontos com
escalações irregulares ou viciando a composição dos tribunais esportivos.
Com regras de rebaixamento e ascensão que
dificultem a manipulação e com o combate aos manipuladores do futebol, não
haverá tantos jogos emocionantes para quem não quer ir além das regras. Isto
faz a mudança parecer ameaçadora para as empresas de comunicação de Marketingreign.
Com o tempo, entretanto, a valorização do mérito tornará o espetáculo mais atraente por si mesmo e os lucros delas poderão até aumentar. E só novos
valores podem salvar Marketingreign.
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