quinta-feira, 13 de julho de 2017

Pena Máxima para o Vasco!...

Algumas pessoas atiraram cabeças de nego e acenderam sinalizadores no campo do Vasco. Fora do estádio, um jovem torcedor do Vasco foi morto com um tiro no peito. Motivos levantados: 1) arbitragem errou mais uma vez contra o Vasco; 2) criação de tumulto para exploração na campanha eleitoral; 3) idiotice de baderneiros, que os há em todas as torcidas.
Tenho uma quarta explicação, menos óbvia. Que extraio da reação que observo: ninguém pede a apuração dos fatos, a identificação dos criminosos, a aplicação objetiva da justiça... A CBF proíbe presença da torcida do Vasco no jogo contra o Santos! O Procurador apresenta pedido de pena máxima para o Estádio de São Januário, com interdição por 25 partidas!
Minha explicação não acusa ninguém, senão toda a espécie humana. Nem árbitros, nem cartolas, nem policiais, nem comissários, por mais que cada um deles possa mesmo sentir-se culpado... No inconsciente coletivo, vou buscar mais fundo a origem desse ânimo em que cada um insere suas motivações próprias para fazer do Vasco o bode expiatório de que o país em guerra necessita.
O Vasco é o clube dos comerciantes portugueses a que a Imprensa no Brasil não dispensava tratamento mais justo que a da Alemanha dispensava aos judeus antes da segunda guerra. Finda a guerra, diluída a relação de outros clubes com colônias estrangeiras, restou o Vasco, que a imprensa esportiva da capital da república passou a tratar como o gigante a ser derrubado pelo Flamengo. No governo militar, é conhecido o envolvimento da imprensa nas articulações para atrair a simpatia para o general presidente flamenguista que chegaram às “papeletas amarelas”...
Isso dura até hoje. Na arquibancada e nas cadeiras sociais de São Januário, velhos portugueses e seus descendentes ainda exibem seu orgulho pelo patrimônio legado pela colônia à História do Brasil. Mas, não podem ser distinguidos em um mar de “negros, pardos, caixeiros e operários”. O amor ao Vasco é hoje o fruto das campanhas de seus times heroicos. Isto não impede que o preconceito contra os estrangeiros ainda seja explorado.
As vitórias do futebol do Vasco e a tradição de unir todos os oprimidos com olhos na única meta de ser o campeão fazem o Vasco resistir a tudo como um bastião do espírito esportivo menosprezado. Cada vez que o Vasco ganha, a corrupção em que apodrecem nossas elites, que não são diferentes das de 1923, vê-se humilhada . Responde sempre que pode.

Pensavam que o Vasco só ganhava no seu Caldeirão e, quando surgiu a oportunidade, em 48 horas, se apressaram a fechá-lo. 48 horas depois o Vasco ganhou de 4 a 1 fora de casa. Coisas do futebol...