No primeiro minuto do segundo tempo, quando o placar era 0X0, o lateral Ramon do Vasco foi puxado pela camisa ao invadir a área do Avaí. Se fosse concedido ao clube prejudicado o direito de pedir a revisão da marcação, em um minuto de exame do vídeo, a arbitragem não teria tido qualquer dúvida em marcar o pênalti. Se o pênalti resultasse em gol, estaria mudada completamente a história do jogo.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Ceará 2X2 Flamengo
A manchete de primeira página deste jogo no jornal OGlobo é: Flamengo eliminado em jogo polêmico.
Na primeira página do caderno de esportes, a manchete é: Eliminação e revolta.
Cabe notar inicialmente que, em ocasiões semelhantes, com o Flamengo na posição contrária, em vez de ‘revolta’ se teria lido ‘choro’.
Estas manchetes mostram que, mesmo quando a arbitragem é correta, não deixa de ser polêmica, contrariando o argumento da FIFA de que reduzir os erros de arbitragem teria o efeito nocivo de reduzir a polêmica em torno dos resultados dos jogos.
A reportagem deixa claro que o juiz só pode ser acusado de prejudicar injustamente o Flamengo ao aplicar dois cartões amarelos que, infelizmente para o Flamengo, couberam ao mesmo atleta, Ronaldo Angelim, jogador da defesa do Flamengo, por essa razão expulso ainda no primeiro tempo do jogo. O jornal e a cobertura do jogo pela Rede Globo atribuem ao juiz conduta muito ‘rigorosa’ nessa expulsão. O termo ‘rigoroso’ é aplicado corretamente se designa o fato de o juiz ter aplicado com precisão o princípio de punir com o cartão amarelo o jogador que atinge deliberadamente o corpo do oponente para impedir o progresso do jogo. Mas, no caso presente, se associa o termo ‘rigoroso’ ao excesso de exação.
É notável a semelhança dessa expulsão com a do atacante Valdir Papel, do Vasco, no ultimo jogo da Copa do Brasil de 2006, que terminou com o resultado de Vasco da Gama 0X1 Flamengo. Valdir Papel ficou em campo nesse jogo 15 minutos, menos da metade do tempo de Ronaldo Angelim agora. Outra diferença é que, nesse jogo, o atacante do Vasco recebeu os dois cartões em lances em que não atingiu nem visou a atingir os adversários, podendo ser acusado, no máximo, de pôr em risco a sua integridade física pelo empenho com que visou a apoderar-se da bola. O cartão amarelo destina-se a punir as atitudes anti-jogo, sendo freqüentemente reiterada a recomendação de aplicá-lo em atitudes tipificadas exatamente como a de Ronaldo Angelim neste episódio.
Reproduz, também, OGlobo declaração do goleiro Felipe, do Flamengo, de que se dirigiu ao árbitro para aconselhá-lo a vestir a camisa do Ceará. Como Felipe não foi expulso após proferir estas palavras, deve-se concluir que só se pode acusar a arbitragem, não de rigor, mas, sim, de leniencia para com o Flamengo.
O goleiro do Flamengo recebeu cartão amarelo ao tentar anular o segundo gol do Ceará, em que, claramente, os jogadores desse clube não cometeram nenhuma violação das leis do futebol. Terminado o primeiro tempo, correu novamente para o juiz, provocando tumulto em que o técnico do Flamengo, que invadiu o campo para retirá-lo, agrediu um dos policiais que protegia a saída da arbitragem.sexta-feira, 6 de maio de 2011
Avaí 1X 1 Botafogo
Ao final do jogo realizado na noite de 21-4-2011 pela Copa do Brasil no Estádio da Ressacada, decidido por um pênalti marcado nos últimos minutos favorecendo o clube local, houve briga em campo. O Botafogo, eliminado da Copa por esse resultado, emitiu nota oficial a respeito. Em resposta, a Associação Nacional dos Árbitros de Futebol manifestou-se em seu site. O Botafogo respondeu com outra nota oficial. Os trechos abaixo, extraídos desses documentos, revelam o aspecto central da polêmica: a carência de uma postura mais séria da sociedade frente aos erros de arbitragem.
Trechos da Nota Oficial emitida pelo Conselho Diretor do Botafogo após o jogo:
Nos últimos anos, as arbitragens das competições nacionais têm sido alvo de críticas incontestáveis e justas por parte da grande maioria dos dirigentes dos clubes brasileiros, como reconhecido pelos meios de imprensa esportiva.
... no limite do aceitável e do compreensível, depois do lamentável erro de arbitragem no jogo de volta contra o Avaí pela Copa do Brasil — a não marcação de um escanteio claro a favor do Botafogo e na sequência uma penalidade inexistente -, que decidiu o futuro do Botafogo na competição, algumas perguntas se fazem necessárias...
A Direção do Botafogo lamenta a reincidência de erros grosseiros e mais ainda a forma como a arbitragem nacional tem sido conduzida e coordenada ao longo dos últimos anos.
Nos últimos anos, as arbitragens das competições nacionais têm sido alvo de críticas incontestáveis e justas por parte da grande maioria dos dirigentes dos clubes brasileiros, como reconhecido pelos meios de imprensa esportiva.
... no limite do aceitável e do compreensível, depois do lamentável erro de arbitragem no jogo de volta contra o Avaí pela Copa do Brasil — a não marcação de um escanteio claro a favor do Botafogo e na sequência uma penalidade inexistente -, que decidiu o futuro do Botafogo na competição, algumas perguntas se fazem necessárias...
A Direção do Botafogo lamenta a reincidência de erros grosseiros e mais ainda a forma como a arbitragem nacional tem sido conduzida e coordenada ao longo dos últimos anos.
Trechos da resposta da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol:
Infelizmente as mesmas desculpas voltam à tona após um fracasso em campo. O Botafogo, eliminado do Campeonato Carioca e da Copa do Brasil, disfere (sic) sua raiva na (sic) Comissão de Arbitragem ao invés de procurar solucionar seus problemas. A incompetência dentro e fora dos gramados supera os erros que por ventura (sic) aconteçam...
...Quando o clube carioca cita um pênalti ‘inexistente’ e um escanteio ‘não marcado’ esquece de citar que o Avaí reclama de um pênalti minutos antes. Também não cita a incompetência de seus jogadores e treinador em derrotar a equipe de Florianópolis. Nos blogs alvinegros a torcida reclama da postura covarde do Botafogo após o atacante Loco Abreu fazer 1 a 0. Será que a diretoria fará uma nota oficial contra seus jogadores e treinador?
Prefere criticar os blogueiros? O que irá falar sobre os torcedores ameaçando os atletas no aeroporto? É tudo culpa da arbitragem?
Nas rádios presentes no estádio da Ressacada houve, em todas elas, jornalistas concordando com a marcação de Ricardo Marques. Dentre os comentários, a grande maioria com justificativas plausíveis. O bom posicionamento e a convicção ao anotar a marca do pênalti demonstram a convicção que algumas câmeras, aliado (sic) a (sic) paixão, não conseguem captar. Na Copa de 98 aconteceu igual. Ninguém viu a falta dentro da área de Júnior Baiano sobre o atacante norueguês. Somente uma imagem amadora provou que o juiz estava certo..
...A chegada no aeroporto do Rio de Janeiro é um sinal de que existe algo a ser modificado realmente!
Enquanto jogadores, treinadores, dirigentes e alguns supostos ‘craques’ ganharem milhões para jogar bola e perdem (sic) gols incríveis, fazem faltas bizonhas (sic), deixam os clubes com dívidas gigantescas e colocam a razão do fracasso em outra pessoa, sequer profissional, o futebol brasileiro será lembrado como celeiro de craques, administrações péssimas e falidas. Seremos apenas uma chocadeira, onde os bons aparecem e vão embora para outros mercados.
Por fim, caso o Botafogo acredite ser necessário modificar o comando da arbitragem nacional, por que não sugere nomes, formas e modelos de administração baseado no seu dia-a-dia ou prefere acusar e esquecer os milhões de dívidas, estádio ‘emprestado’, salários atrasados, inexistência de CT adequado, entre outros problemas divulgados pela mídia? É bom cada um olhar para si antes de transferir responsabilidades.
A ANAF chama a atenção de todos os árbitros e assistentes para estes clubes que, além de não acompanhar o trabalho da CBF, o sacrificio individual de cada um dos senhores, nada fazem pelo setor, a não ser emitir notas oficiais pueris, com o objetivo de desviar os seus próprios problemas! Vamos acompanhar e divulgar cada um que assim agir!
Não faremos o mesmo, ou seja, sugerir que se mude a direção do Botafogo nas eleições que se realizarão em breve e nem lembrar de equívocos anteriores de seus jogadores, treinadores etc em edições da mesma Copa do Brasil, pois sabemos que nunca conseguiremos a perfeição divina que tanto exigem dos nossos falíveis árbitros. É mais fácil crucificar uma pessoa! Ninguém aguenta este choro repetitivo!
Trecho da tréplica do Conselho Diretor do Botafogo de Futebol e Regatas:
... Consideramos no mínimo inadequado a ANAF defender membros de seu quadro de árbitros citando outros erros cometidos na mesma partida.
Da mesma forma, lamentamos a postura da ANAF em utilizar o episódio de violência ocorrido no aeroporto do Rio de Janeiro como maneira de agredir o BOTAFOGO, demonstrando total falta de respeito aos jogadores e suas respectivas famílias.
O BOTAFOGO considera muito grave o tom ameaçador da ANAF quando esta anuncia que “vai acompanhar e divulgar cada (clube) que emitir notas oficiais pueris com o objetivo de desviar seus próprios problemas”.
O BOTAFOGO considera muito grave o tom ameaçador da ANAF quando esta anuncia que “vai acompanhar e divulgar cada (clube) que emitir notas oficiais pueris com o objetivo de desviar seus próprios problemas”.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Atlético Paranaense 2X 2 Vasco da Gama
Na capital paranaense, os dois gols do time local resultaram de jogadas discutidas. No primeiro, goleiro do Vasco caiu ao saltar com o zagueiro do Atlético e a jogada continuou, terminando em gol. No segundo, atacante do Atlético se atirou ao chão e o jogador do Vasco, atrás dele, chutou a bola. Pode ser acusado, no máximo de imprudência, quando, visando a bola, arriscou-se a tocar o jogador do time adversãrio. O juiz, com a visão encoberta pelo corpo do jogador do Vasco, marcou pênalti que resultou no gol. Destaque-se que no primeiro minuto do segundo tempo, quando vencia por um a zero, o Vasco teve um pênalti a seu favor, mais claro, não marcado.
Mais importante, o juiz neutralizou o Vasco com seis cartões amarelos, contra nenhum para jogadores do Atlético Paranaense. O primeiro cartão foi para o autor do primeiro gol, por gesto em que imitava, na comemoração do seu gol, a forma como seu pai comemorava os gols contra o presente adversário. O segundo para um dos atletas que reclamou da não marcação da falta no primeiro gol do Atlético. O terceiro para outro que reclamou de falta marcada a favor do Atlético quando no mesmo lance antes ocorrera falta sobre jogador do Vasco. O quarto por movimento de alguns jogadores da barreira na cobrança da mesma falta. O quinto para o atleta que teria cometido o pênalti. O sexto, novamente por reclamação, agora da marcação do pênalti.
Autoridade e Verdade
No futebol americano, há alguns anos funciona uma regra simples para evitar que erros grosseiros da arbitragem alterem o desenrolar das partidas e modifiquem os resultados. Os treinadores dos dois times têm o direito de contestar a decisão do árbitro duas vezes durante o jogo, jogando no chão uma bandeirola vermelha antes de o jogo ser reiniciado após a decisão. Rapidamente, os juízes examinam as gravações disponíveis e decidem manter sua decisão ou modificá-la. Se a razão do treinador é reconhecida nas suas duas intervenções, ele ganha o direito a uma terceira. Com isso, o jogo pode ser paralisado até, no máximo, seis vezes, caso em que a duração do jogo será estendida por, no máximo, meia hora, tempo muitas vezes ultrapassado nas confusões que se formam para cobrar um pênalti ou anular um gol.
A FIFA não permite que as decisões dos juízes do nosso futebol sejam desafiadas durante o jogo. Fica a cargo dos cronistas esportivos o esforço de assegurar ao público que os erros foram negligenciáveis e o resultado final de cada jogo foi justo. Como estes cronistas dificilmente se atreverão a defender o juiz que contrarie a maior torcida, do mesmo modo, o juiz pensará duas vezes antes de tomar uma decisão contra os times mais populares. Isto tem um segundo efeito além de produzir resultados injustos: os torna cada vez mais previsíveis, à medida que os ganhadores dos campeonatos vão se repetindo e sua torcida vai aumentando.
O papel que nos propomos desempenhar aqui é o de registrar os lances discutíveis que influenciaram os resultados de jogos importantes e oferecer o devido reconhecimento ao desempenho das equipes. Não pelo interesse de denunciar a incompetência das arbitragens e o descaso da imprensa, mas, apenas, para, em algum sentido, recompensar os atletas cujo desempenho é prejudicado e os clubes que tem seus direitos vilipendiados por erros que teria sido fácil corrigir. Desta forma, pretendemos ajudar a garantir à justiça no esporte a importância que lhe deveria ser sempre assegurada.
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