sábado, 28 de junho de 2014

Brasil 1 X 1 Chile


A arbitragem eliminou a Bósnia no jogo contra a Nigéria. Em compensação classificou a Suiça, eliminando o Equador no jogo contra a França. No primeiro caso, o juiz foi enganado pelo bandeirinha, mas, no segundo, a ordem para expulsar o capitão do Equador parece ter vindo de fora. 
A gente xinga o juiz, mas, os grandes golpes são dados fora de campo. Brasil X Chile costuma ter esses golpes. No menos conhecido, em 1962, na semifinal da Copa do Chile, caçado em campo pelos chilenos na vitória do Brasil por 4X2, Garrincha acabou agredindo um deles e foi expulso. A súmula, entretanto, não foi assinada pelo bandeirinha, já à época famoso pelas atuações suspeitas, desapareceu misteriosamente. Na falta do documento, a FIFA pôde desconhecer a expulsão e permitir Garrincha em campo na final. Resultado, Brasil bicampeão do mundo.
Em outro Brasil X Chile lamentável, o Brasil esteve limpo, embora a fogueteira Rosenery nem tanto. Graças a ela, o goleiro Rojas usou no momento errado a gilete que trazia na luva para simular um ferimento no Maracanã. Ficou provado que o sinalizador atirado por ela caiu longe dele. e a fraude não se pode sustentar. Era o último jogo para as eliminatórias da Copa de 90. Rojas, o médico e mais alguns chilenos foram banidos do futebol.
O Brasil X Chile desta Copa foi marcado pela pressão psicológica dos chilenos, incluindo o treinador e seu jogador mais valioso, sobre o árbitro. Pressões psicológicas seriam legítimas, não fora a posição vulnerável em que são colocados os árbitros pelo excesso de poder que lhes é conferido. Com isso, em vez de repetição da goleada habitual que a diferença de qualidade fazia esperar, com a anulação do gol legal de Hulk pelo juiz inglês, tivemos um jogo duro e a estúpida decisão por pênaltis.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Brasil 4 X 1 Camarões

Esperava-se uma goleada ainda maior.
 A seleção de Camarões se notabilizou nesta Copa do Mundo por duas atitudes. Primeiro, obteve um aumento no seu pagamento pela participação financeira no evento mediante uma ameaça de última hora de não viajar. Depois um de seus jogadores tentou agredir por trás, sem bola, o artilheiro da Croácia. No primeiro caso, o pequeno aumento pleiteado foi obtido e o voo foi atrasado apenas algumas horas. No segundo caso, o agressor foi expulso e a seleção de Camarões acabou goleada pela Croácia.
 A seleção do Brasil comportou-se melhor. Embora tenha havido a encenação de Fred induzindo o juiz a marcar pênalti contra a Croácia. E tenha havido uma negociação só revelada recentemente para garantir um prêmio em torno de um milhão de dólares para cada jogador, cerca do dobro do que acabaram recebendo os camaroneses.
Os canarinhos entraram em campo mais leves que os leões indomáveis. No futebol, a superioridade moral é decisiva. No caso, além do mais, a superioridade moral reflete a superioridade técnica. As limitações na qualidade do futebol é que obrigaram a seleção de Camarões a recorrer aos expedientes indignos.
O treinador de Camarões optou por jogar contra o Brasil sem o seu jogador mais habilidoso para castigá-lo por agredir um companheiro do time em pleno jogo. Esse mesmo atleta declarara dias atrás que jogava pelo dinheiro e não por prazer. O que o torna tão irascível e tão desgostoso do futebol? Gols mal anulados como o que resultou na eliminação antecipada da Bósnia e Herzegovina em mais um erro desastroso nesta Copa?
Prefiro esquecer por um momento a urgência de substituir os bandeirinhas por tecnologia mais moderna na aplicação da regra do impedimento. É mais provável que o que desgosta Assou Ekotto, já nomeado embaixador da ONU contra a Pobreza, seja o que se vê - ou se deixa de ver - fora das quatro linhas. Que as estrelas do espetáculo ganhem milhões é muito justo. O que não é justo é que não se esclareça bem onde vão parar os outros muitos milhões que passam pelos cofres da FIFA. 

terça-feira, 17 de junho de 2014

Brasil 0 X 0 México

O México já entrou em campo perdendo. Devido a um handicap de 3 gols, o do pênalti cavado pelo Fred e os dois que fez e foram anulados sob alegação de impedimento. A FIFA nesta Copa informa ao juiz se a bola cruzou a linha do gol, mas continua dando à arbitragem o poder de, com pênaltis e impedimentos, decidir os resultados.
Uma vez admitido que o juiz pode beneficiar-se do auxílio de câmaras em certos lances, porque não conceder-lhe um minuto para, antes de decidir, rever os lances em que a bola entra, ou em que ele suspeita de pênalti? A resposta é simples: porque dificulta a manipulação.
Desta vez, faltou coragem ao juiz para dar o pênalti sobre Marcelo que daria a vitória ao Brasil. Fez-se justiça com isso, compensando os favorecimentos anteriores? Claro que não. Fez-se confusão, complicação, bagunça! È assim que se vai mantendo a injustiça, no futebol, como em tudo mais.
Os torcedores são acusados de falta de educação quando, desesperados, xingam. Na abertura da Copa, saudaram a presidente da República com o coro habitualmente dirigido ao juiz. A Imprensa atribuiu o gesto à falta de educação da elite paulista, que, supostamente, constituiria a plateia desse jogo. Bobagem, quem xinga é o povo. E xinga as elites trapaceiras irmanadas, FIFA, políticos, Imprensa novelesca. Xinga porque não encontra outra forma de exigir respeito.
Se o presidente Obama aparecesse no telão neste jogo também seria xingado. Por torcedores do Brasil e do México. Não porque não gostemos dele. Mas, por não nos dar outra forma de protestar contra a hipocrisia dos países ricos que deixam passar por suas fronteiras, os bilhões ganhos em concorrências fraudulentas e em impostos sonegados, mas empregam trogloditas para impedir a entrada de trabalhadores que as suas empresas querem empregar e de estupefacientes que os seus cidadãos querem consumir.
Com o mesmo perfil de vira-latas, os mexicanos hoje igualaram os brasileiros e mostraram, no futebol, do que são capazes. Como os brasileiros, os jogadores mexicanos são leves, habilidosos, surpreendentes. Se nossas autoridades fossem devidamente vigiadas, nossos povos mostrariam ao mundo muito mais. Evitando os juízes ladrões, os países que aprenderam a driblar a fome e a enfrentar a violência estarão sempre entre os melhores no futebol.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Brasil 3 X 1 Croácia

A Croácia começou jogando feio. De fato, a proclamação da independência da Croácia foi a principal motivação para o esfacelamento da Iugoslávia depois do fim da Cortina de Ferro. Esfacelamento que teve como destaque o genocídio da Bósnia. Esfacelamento que significou o surgimento de meia dúzia de governos autônomos, livres para fazer os contratos e concessões que derem mais lucro aos governantes e aos seus corruptores. Livres para manipular o câmbio e fixar as taxas de conversão que enriqueçam os especuladores mais próximos...
Mas, a Croácia tinha suas riquezas e chegou a esta Copa do Mundo credenciada por um ataque ao banditismo. Ano passado, foi admitida na Comunidade Europeia e promete sanear os costumes de seus governantes a ponto de satisfazer as exigências para ser admitida na Zona do Euro. No futuro, quem sabe poderá ser seguida nesse caminho pelos vizinhos que deixou para trás.  Croácia um a zero.
Mas, é difícil para a Croácia chegar aos pés do Brasil, com os seus duzentos milhões de habitantes sob um governo central administrando uma moeda única. Ao Brasil basta proteger o seu Banco Central e a sua Receita Federal para acabar com as trapaças nas transações internacionais. Se a nova Lei Anti-Corrupção puder ser aplicada com transparência, livre dos arreglos da Justiça comprada, será um gol de placa.
Os olhos do mundo precisam voltar-se para cá. Boa parte dos pobres do mundo está aqui junto com boa parte da riqueza do mundo. Livrar o Brasil da roubalheira significa tirar rapidamente da pobreza a maioria de um país equivalente, em população, a 2/5 do total das 28 nações da Comunidade Europeia. Mas, para isso é preciso impedir os gols contra dos golpistas que estão criando tumulto na rua pensando em arranjar uma boquinha no governo. A Imprensa que abre suas manchetes para os baderneiros é a mesma que sempre gostou de apoiar toda ditadura que favoreça os negócios dos seus magnatas.

O que se enxerga nesta altura da Copa é um Brasil capaz de dar grandes lições aos poderosos, precisando apenas fortalecer a sua defesa contra o inimigo interno, acostumado a ganhar enganando juiz japonês.