No Brasil, prevalece a noção de
que Imprensa Esportiva é molecagem. A novela é o que há de importante para os
nossos meios de comunicação. Os responsáveis pela Imprensa Esportiva têm como
meta transformar o esporte em novela.
Acontece que as crianças, dominantemente,
formam seu caráter como torcedores de futebol. Quando se verifica que são raros
os políticos de caráter, que presidentes da República não se envergonham de receber
dinheiro de propina para ganhar eleição e de mentir nos debates eleitorais,
aparece na Imprensa que eles são representantes da falta de caráter do povo
brasileiro. E quanto a Imprensa contribui para essa falta na nossa cultura?
Quando o especialista de
arbitragem da Rede Globo exibe vídeos que provam que os três pênaltis sofridos
por jogadores do Vasco foram marcados corretamente no jogo em que foi derrotado
por um gol irregular do adversário, todos na Mesa Redonda simplesmente negam a
evidência. Mas, as declarações tolas que o Fred foi instruído a fazer no final
do jogo tornam-se o prato do dia da Imprensa.
A foto do técnico do Flamengo
posando com uma mordaça na boca merece enorme atenção; o que ele diz para justificar
o uso da mordaça, quase nenhuma. Quanto ao Fred, o que uma Imprensa saudável deveria discutir é se houve falta sobre ele e se houve tentativa dele de cavar
pênalti.
As reclamações de dirigentes do
Fluminense quanto a pontos perdidos por erros da arbitragem deveriam suscitar
uma análise técnica, em vez de uma repercussão política. Este ano, novamente, o
Flamengo já ganhou com erros da arbitragem mais do que qualquer um dos outros perdeu,
com a possível exceção do Madureira.
Os dirigentes só deveriam
aparecer na Imprensa representados pelo desempenho das equipes que formam. Entrevistas
com dirigentes visando a manipular a opinião pública e pressionar os árbitros
deveriam ser repudiadas estrepitosamente. Em vez disso, a Imprensa endeusa os
dirigentes dos clubes do coração, especialmente quando atacam o cube cujo
dirigente um dia ousou criticá-la.