Campeonato Estadual do Rio de Janeiro de 2014
Primeiro jogo.
Aos 11 minutos, Douglas cobra falta para o Vasco, a bola
bate na trave e a seguir bate no chão dentro do gol,a uma distância de quase
meio metro da linha final. O juiz não marca o gol.
O Vasco continua dominando o jogo e faz outro gol.
Aos 39 minutos, Elano cobra falta para o Flamengo. O goleiro
do Vasco defende. No alto, é muito difícil ver se a bola chegou a entrar, mas, com
alguma noção de perspectiva, pode-se perceber que rebateu a bola antes que ela
transpusesse plenamente o plano vertical do gol, o que, pela regra seria
necessário para ocorrer o gol. O juiz dá o gol para Flamengo.
Vergonha?
Segundo jogo.
Aos 45 minutos do primeiro tempo, o Vasco vencendo por um a
zero, Everton Costa bate o seu marcador e corre uns 30 metros em direção ao gol
do Flamengo. Samir, zagueiro do Flamengo, vem em desabalada carreira em direção
a sua trajetória e o atropela. Os jogadores do Flamengo gritam que Everton Costa
se atirou ao chão antes de ser atingido. O juiz não dá o pênalti e dá cartão
amarelo a Everton Costa por simulação.
Faz parte da mitologia do futebol, quando não tem coragem de
marcar um pênalti, o juiz acusar o atacante de simulação. Mesmo que a intenção
de enganar seja atribuída a um jogador que cai na corrida com a bola e é
atacado por um defensor em alta velocidade.
No segundo tempo, em toda falta cometida por Everton Costa,
os jogadores do Flamengo exigem o segundo cartão amarelo e a consequente
expulsão. Afinal, o juiz os atende. Com um jogador a mais, cinco minutos depois
o Flamengo empata o jogo e mantém o empate até o final.
Esse era o primeiro jogo da decisão do campeonato. Anderson
Costa estava sendo o melhor jogador do Vasco e com a expulsão fica excluído do
segundo jogo no domingo seguinte.
Vergonha? Vergonha.
Terceiro jogo.
O jogo chega ao fim do tempo regulamentar, com o Vasco
ganhando pela terceira vez por um a zero. Nesse momento, em flagrante situação
de impedimento, Márcio Araujo empata o jogo.
A arbitragem valida o gol e encerra o jogo. Com os dois
empates, o Flamengo é campeão.
Festa da maior torcida da cidade, do país e do mundo? Choro dos
vencidos?
Vergonha!!!Vergonha!!! Vergonha!!!
No fim de 2013, a torcida do Atlético Paranaense,
honrando a camisa rubronegra, cumpriu ameaça de impedir a torcida do Vasco de
apoiar o clube na última rodada do Campeonato Brasileiro e promoveu intimidação
mortal não só dos torcedores, mas, principalmente, da delegação e dos jogadores
do Vasco. Depois de mais de uma hora de interrupção, o jogo continuou, o Vasco
foi esmagado. O resultado foi validado pelo Supremo Tribunal de Justiça
Desportiva da CBF e, em consequência, o Vasco foi excluído da série A do campeonato.
Como punição pelo conflito entre torcedores nesse jogo, realizado em Joinville com mando de campo do Atlético
Paranaense, o estádio do Vasco no Rio de Janeiro foi interditado pelo futebolístico
tribunal.
Diante disso, eu tinha desistido de dar continuidade a este
blog, mas, o presente registro merece ser feito. Parafraseando o compositor: se
faltasse o Flamengo no mundo, eu teria um desgosto profundo. Pois, tanta covardia
é um fenômeno de inocência que precisa ser preservado para estudo da
Antropologia. O que tem de mudar – e mudar
já - é o futebol!
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