segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Atlético-PR XXX Vasco



Cansei. Aqui me despeço. Mas, quero fazer um último registro deste jogo. Com as medidas sinistras tomadas durante a semana para afastar do campo de Joinville os torcedores do Vasco, os dirigentes do Atlético-PR contribuíram para o horrível desfecho, mas as causas principais não estão aí. Como venho repetindo, o problema, ao mesmo tempo mais simples e mais profundo, está no poder do juiz.
A violência das torcidas não se resolve com polícia e punição dos clubes, como pede hoje o jornal cuja assinatura já cancelei. Sua causa última está na irresponsabilidade das autoridades do Quarto Poder. Ironicamente, ela parece que virá atingi-los em cheio no ano de Copa do Mundo e eleição presidencial, com os vândalos se deslocando para as manifestações políticas desde a Copa das Confederações.
Julgando que o entretenimento com o esporte não afeta seus interesses, deixaram o domínio dessa área da Imprensa para a paixão clubística. Resultado: a noção de que cabe à torcida coibir os abusos dos árbitros, em vez de combatida depois da evidência concedida pelo “escândalo do Edilson”, tem sido exaltada. Do outro lado, a pleito pelo direito dos clubes à revisão eletrônica de um pequeno número de decisões nos jogos da primeira divisão não repercute, por supostamente ameaçar a regularidade da duração do espetáculo e da programação da TV.
A polícia de Santa Catarina e os representantes da CBF agiram corretamente ao respaldar a decisão do juiz de obrigar o Vasco a permanecer em campo, dando oportunidade de deixar o estádio durante o prolongamento do jogo à parte da sua torcida que não se arriscara a sair durante a interrupção de mais de uma hora. A suspensão definitiva do jogo poderia aumentar a dimensão da tragédia.
Uma última sugestão para manter o interesse por todas as partidas do campeonato de pontos corridos e fortalecer o critério do mérito nas decisões sobre o rebaixamento de quatro entre vinte clubes em um país em que há mais de dez clubes de primeira linha: o número de vitórias e empates e o número de gols marcados e sofridos podem ser combinados em uma regra pré-definida, mas, com sua importância determinada dentro do próprio algoritmo de decisão. Pode-se produzir um algoritmo automático em que na última rodada, cada gol possa afetar o destino de muito mais clubes e o efeito da contribuição do juiz de cada partida não possa ser antecipado.
E um último lembrete: a pontuação para a escolha do campeão tem de ser simétrica; os três pontos por vitória são uma aberração que não consegue, via de regra, levar o interesse pela decisão sobre quem será o primeiro e quem será o último colocado até o fim do campeonato.

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