Cansei. Aqui me despeço. Mas, quero fazer um
último registro deste jogo. Com as medidas sinistras tomadas durante a semana
para afastar do campo de Joinville os torcedores do Vasco, os dirigentes do
Atlético-PR contribuíram para o horrível desfecho, mas as causas principais não
estão aí. Como venho repetindo, o problema, ao mesmo tempo mais simples e mais
profundo, está no poder do juiz.
A violência das torcidas não se resolve com polícia e
punição dos clubes, como pede hoje o jornal cuja assinatura já cancelei. Sua
causa última está na irresponsabilidade das autoridades do Quarto Poder.
Ironicamente, ela parece que virá atingi-los em cheio no ano de Copa do Mundo e
eleição presidencial, com os vândalos se deslocando para as manifestações
políticas desde a Copa das Confederações.
Julgando que o entretenimento com o esporte não afeta seus
interesses, deixaram o domínio dessa área da Imprensa para a paixão clubística.
Resultado: a noção de que cabe à torcida coibir os abusos dos árbitros, em vez
de combatida depois da evidência concedida pelo “escândalo do Edilson”, tem
sido exaltada. Do outro lado, a pleito pelo direito dos clubes à revisão eletrônica
de um pequeno número de decisões nos jogos da primeira divisão não repercute,
por supostamente ameaçar a regularidade da duração do espetáculo e da programação
da TV.
A polícia de Santa Catarina e os representantes da CBF
agiram corretamente ao respaldar a decisão do juiz de obrigar o Vasco a
permanecer em campo, dando oportunidade de deixar o estádio durante o prolongamento
do jogo à parte da sua torcida que não se arriscara a sair durante
a interrupção de mais de uma hora. A suspensão definitiva do jogo poderia aumentar a
dimensão da tragédia.
Uma última sugestão para manter
o interesse por todas as partidas do campeonato de pontos corridos e fortalecer o critério do mérito nas
decisões sobre o rebaixamento de quatro entre vinte clubes em um país em que há
mais de dez clubes de primeira linha: o número de vitórias e empates e o número
de gols marcados e sofridos podem ser combinados em uma regra pré-definida,
mas, com sua importância determinada dentro do próprio algoritmo de decisão. Pode-se
produzir um algoritmo automático em que na última rodada, cada gol possa
afetar o destino de muito mais clubes e o efeito da contribuição do
juiz de cada partida não possa ser antecipado.
E um último lembrete: a pontuação para a escolha do campeão
tem de ser simétrica; os três pontos por vitória são uma aberração que não
consegue, via de regra, levar o interesse pela decisão sobre quem será o
primeiro e quem será o último colocado até o fim do campeonato.
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