No futebol americano, há alguns anos funciona uma regra simples para evitar que erros grosseiros da arbitragem alterem o desenrolar das partidas e modifiquem os resultados. Os treinadores dos dois times têm o direito de contestar a decisão do árbitro duas vezes durante o jogo, jogando no chão uma bandeirola vermelha antes de o jogo ser reiniciado após a decisão. Rapidamente, os juízes examinam as gravações disponíveis e decidem manter sua decisão ou modificá-la. Se a razão do treinador é reconhecida nas suas duas intervenções, ele ganha o direito a uma terceira. Com isso, o jogo pode ser paralisado até, no máximo, seis vezes, caso em que a duração do jogo será estendida por, no máximo, meia hora, tempo muitas vezes ultrapassado nas confusões que se formam para cobrar um pênalti ou anular um gol.
A FIFA não permite que as decisões dos juízes do nosso futebol sejam desafiadas durante o jogo. Fica a cargo dos cronistas esportivos o esforço de assegurar ao público que os erros foram negligenciáveis e o resultado final de cada jogo foi justo. Como estes cronistas dificilmente se atreverão a defender o juiz que contrarie a maior torcida, do mesmo modo, o juiz pensará duas vezes antes de tomar uma decisão contra os times mais populares. Isto tem um segundo efeito além de produzir resultados injustos: os torna cada vez mais previsíveis, à medida que os ganhadores dos campeonatos vão se repetindo e sua torcida vai aumentando.
O papel que nos propomos desempenhar aqui é o de registrar os lances discutíveis que influenciaram os resultados de jogos importantes e oferecer o devido reconhecimento ao desempenho das equipes. Não pelo interesse de denunciar a incompetência das arbitragens e o descaso da imprensa, mas, apenas, para, em algum sentido, recompensar os atletas cujo desempenho é prejudicado e os clubes que tem seus direitos vilipendiados por erros que teria sido fácil corrigir. Desta forma, pretendemos ajudar a garantir à justiça no esporte a importância que lhe deveria ser sempre assegurada.
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